#NoMakeUpSelfie

O desafio se tornou viral na internet. Por toda a minha timeline eu vejo publicações de mulheres postando fotos suas sem maquiagem. Eu ainda não entendi muito bem o objetivo, mas eu sei que envolve desafiar mais alguém e essa pessoa, caso não cumpra o desafio, precisa te dar uma maquiagem. Pelo que eu pesquei das informações, acho que se trata de um protesto contra o atual padrão de beleza, que prima por uma beleza artificial em detrimento à beleza natural da mulher. O que eu acho válido. Muitas vezes a mulher sente que não terá sua beleza valorizada se não estiver maquiada, se as suas “imperfeições” (segundo o padrão imposto) não forem escondidas. Isso não é nada saudável.

Mas como você deve imaginar, esse post não se trata da minha opinião sobre se é bom ou não usar maquiagem… É que isso me fez pensar: quantas vezes a gente recorre aos mesmos artifícios para esconder algo que não gostamos na nossa vida? Quantas vezes nós não usamos uma “maquiagem espiritual” para camuflar nossos defeitos? Fazemos isso por medo de sermos rejeitados, rotulados, acusados…

O ambiente cristão, ao contrário do que deveria ser, muitas vezes apenas estimula esse comportamento. Nós somos mestres em criar expectativas e padrões, rotulando quem não os alcança como “menos espiritual”, ou “menos maduro”. O resultado é um só: não existe liberdade para que as pessoas sejam elas mesmas. Não existe um espaço para sinceridade. O problema é que não há perspectiva de mudança real em um ambiente como esse.

O que eu quero propor nesse texto, é uma campanha #NoMakeUpSelfie espiritual. E não estou sozinho nessa. Meu apoio vem do próprio apóstolo Paulo, em 2 Coríntios no capítulo 3:

 E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito. (2 Co 3:18)

 Deixe-me te dar o contexto. Nesse capítulo Paulo começa a fazer um paralelo entre o ministério da Lei e o da Graça. Ele cita como a Glória da Nova Aliança é muito maior do que a da Antiga e que aquela é uma Glória que permanece, não é passageira como a antiga. Mas aí ele começa a fazer uma analogia interessante usando Moisés. Ele diz que Moisés usava um véu sobre o seu rosto para que o povo não visse que o resplendor da sua face estava desvanecendo. A parada é que Moisés quando subiu ao monte Sinai e se encontrou com Deus, ele desceu com o rosto brilhando por causa do contato que teve com a Glória de Deus. Aos poucos essa glória foi passando, mas Moisés não queria que o povo notasse isso. Assim, ele colocava o véu para que ninguém percebesse que ele já não estava mais tão “brilhoso” e assim começassem a questionar sua autoridade.

Soa familiar? Não é o que fazemos muitas vezes? Eu não sei você, mas quantas vezes eu coloquei um véu de uma performance sobre o meu rosto. Caramba! Quantas vezes eu banquei o espiritual quando tudo o que eu queria era gritar por socorro. Mas eu não podia porque tinha medo de que as pessoas vissem minhas falhas e me julgassem.

Mas Paulo nos dá a solução:

Mas quando alguém se converte ao Senhor, o véu é retirado. Ora, o Senhor é o Espírito e, onde está o Espírito do Senhor, ali há liberdade. (2 Co 3:16,17)

 O versículo 17 é muito citado em várias ocasiões, mas só agora eu percebi o que ele quer dizer, olhando-o dentro do seu contexto: quando você encontra a Jesus, e entende que o seu valor, a sua identidade, a sua posição diante de Deus não estão baseados na sua performance, mas na performance perfeita de Cristo, você se torna livre! Livre para ser quem você é sem ter medo de ser rejeitado, porque você já foi aceito por Ele. Livre para mostrar suas falhas quando preciso e contar com a ajuda do Espírito Santo. Livre das expectativas, livre da condenação e da pressão de agradar a todos, livre da prisão de tentar ser algo que você não é, livre para ser quem você realmente é no seu Espírito. Você é um Filho amado! Justo, santo, perfeito em Cristo! E isso independe da sua performance.

Esse é o tipo de comunidade que nós temos que ser: uma comunidade sem véu. Afinal, somos gente da Nova Aliança. O Espírito Santo habita em nós, portanto onde estamos há liberdade! Que possamos proporcionar essa liberdade uns aos outros, por meio das nossas ações, respostas e palavras.

O resultado a gente já viu no versículo 18: quando tiramos o véu, deixamos a performance de lado e olhamos para Jesus, o próprio Espírito nos transforma de Glória em Glória na imagem de Cristo. É aqui que habita o poder para mudar.

Se você se encontra hoje em uma prisão, colocando uma máscara espiritual para que ninguém veja sua vulnerabilidade, basta! Seja livre em nome de Jesus! Se glorie nas suas fraquezas e na força da Cruz de Cristo! Você não precisa ser perfeito, você precisa confiar no Sacrifício perfeito. A transformação virá como resultado natural disso. Mas o primeiro passo é aceitar o desafio: chega de maquiagem!

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