Arquivo do autor:joaoemilioml

Viagem Perdida

Você já viajou uma distância considerável até um lugar só para descobrir que fez isso a toa? Eu já. E, sinceramente, não sou muito fã desses momentos. Ao longo da minha vida isso aconteceu algumas vezes, mas me lembro de uma que ocorreu recentemente, no mês passado para ser mais preciso. Era uma segunda-feira e eu tinha que ir para a faculdade apenas para uma aula. Por ser um aluno consciente (leia-se: para evitar a consciência pesada de não ir à aula) eu me desloquei de onde eu estava para a faculdade com o objetivo de assistir essa única aula, apenas para descobrir que eu fui o único que teve essa disposição. Só tinha eu e o professor na sala. Resultado: ele achou que não valia a pena dar a aula só para mim e eu voltei para casa. Talvez você tenha feito uma jornada desse tipo, em que a viagem que até lá custou mais caro do que o ganho em ter estado lá.

Existe uma passagem na Bíblia que parece relatar exatamente uma dessas viagens. Você pode conferir lá em Marcos 4:36-41 e 5:1-20. Por questão de tempo, vou fazer um resumo para você.

Jesus estava pregando, ministrando, curando pessoas na região da Galileia, como era de costume. Chegando ao anoitecer, Jesus diz: “Galera, simbora para o outro lado do mar” . Esse mar na verdade é o lago conhecido como Mar da Galileia. Bem, no meio do caminho o vento resolve soprar, a chuva começa a cair e os discípulos começam a ficar desesperados, achando que vão morrer. Mas Jesus acalma a tempestade e eles chegam em segurança do outro lado, assim como Ele havia dito. Essa parte você já conhece. O que me chama atenção é o que (ou melhor, quem) esperava a eles do outro lado, o motivo dessa viagem perigosa de Jesus:

Quando Jesus desembarcou, um homem com um espírito imundo veio dos sepulcros ao seu encontro. Esse homem vivia nos sepulcros, e ninguém conseguia prendê-lo, nem mesmo com correntes; pois muitas vezes lhe haviam sido acorrentados pés e mãos, mas ele arrebentara as correntes e quebrara os ferros de seus pés. Ninguém era suficientemente forte para dominá-lo. Noite e dia ele andava gritando e cortando-se com pedras entre os sepulcros e nas colinas. (Marcos 5:2-5)

 Assim que eles saem do barco, esta é a cena com que eles se deparam. Um homem completamente possuído por demônios, sem qualquer esperança aparente de libertação ou transformação. Era um cara isolado, à margem da sociedade, maltratado por muitos, temido por todos. Uma personificação da desgraça que o inimigo pode causar. E foi essa pessoa, essa única pessoa, que motivou Jesus a enfrentar uma tempestade terrível só para libertá-la. Se você ler o texto todo, vai reparar que a única pessoa a ter um encontro com Jesus, de início, é esse homem. Aparentemente, a viagem teve um custo maior que o retorno. Mas Graças a Deus que a matemática de Deus é diferente da nossa!

Esse para mim é um retrato do Evangelho. Eu consigo destacar os pontos principais do estado desse homem, chegando a conclusão de que ele representa a mim e a você. Gostaria de fazer isso com um paralelo entre essa história e o texto de Efésios 2:1-3,12, que descreve a nossa condição sem Jesus. Me acompanhe, por favor:

  1. Aquele homem viva entre os sepulcros. Sepulcro fala de morte. Fala de um lugar onde a morte reina. Da mesma forma, Efésios 2:1 diz que “nós estávamos mortos em nossos pecados e transgressões”. Podemos dizer que espiritualmente andávamos entre os sepulcros, separados da vida e do próprio Deus.
  1. Aquele homem não podia ser preso, nem mesmo com correntes. O texto diz que várias vezes tentaram prendê-lo com correntes, para tentar impedi-lo de se ferir ou ferir outras pessoas, mas ele quebrava as correntes e voltava para o lugar de onde havia vindo. Isso acontecia porque as cadeias internas daquele homem eram mais fortes que as cadeias externas que o prendiam. Efésios 2:3 diz que nós “vivíamos satisfazendo a vontade da nossa carne, seguindo os seus desejos e pensamentos e éramos por natureza, filhos da Ira”. Filhos da Ira é uma forma delicada de se referir a nossa antiga natureza: a natureza do pecado, do próprio diabo. Sob essa natureza, não importa o quanto tentássemos, nos esforçássemos, nada era capaz de conter os impulsos dela. Você pode tentar se “prender” com as correntes da religiosidade e do esforço próprio, mas a sua natureza sempre vai falar mais alto. A religião, em vez de te libertar, tenta te colocar em uma outra prisão. Cristo, no entanto, quer te libertar por completo!
  1. Aquele homem não tinha descanso. Ele ficava noite e dia andando, gritando e se ferindo. Ele não dormia, não parava. Ele não tinha paz, não tinha esperança. Da mesma forma, nós éramos “sem esperança e sem Deus no mundo”, segundo Efésios 2:12. Não existe paz nem descanso longe de Deus. Sem Ele somos como aquele gadareno, incansáveis, irremediavelmente aflitos, ansiosos, cronicamente atribulados.

Esse era o nosso quadro sem Jesus. Mas Ele julgou valer a pena atravessar, não um mero lago tempestuoso, mas o limite entre o Céu e a Terra, a fronteira entre o Eterno e o temporal, a barreira entre o espiritual e o natural. Ele se fez carne, habitou entre nós, e morreu na cruz para que eu e você tivéssemos um encontro pessoal com Ele, assim como aquele gadareno.

No versículo 15 de Marcos, vemos o estado do homem depois de encontrar a Jesus. A Bíblia faz questão de mencionar como ele estava, nessa ordem: assentado, vestido e em perfeito juízo. Da mesma forma Jesus nos assentou com Ele em lugares celestiais (nos deu descanso), nos vestiu com suas vestes (nos fez justos) e renovou a nossa mente (nos deu a mente de Cristo). Hoje nós temos vida, temos alegria, paz… Somos livres!

Interessante ainda é o que acontece depois. Jesus fala com o homem que acabara de ser liberto para voltar para sua família, para a sua cidade e contar a todo mundo o que o Senhor fizera por Ele. A Bíblia diz que ele obedeceu e anunciou em Decápolis (que era o conjunto de dez cidades) a Jesus e o que Ele fizera. De repente, o endemoninhado se tornou um missionário. Agora ele não somente fora liberto, como também recebera um propósito, uma missão, um sentido e através da vida dele, dez cidades puderam ouvir a respeito do Amor de Jesus. Da mesma forma, Deus quer e vai usar a sua vida, o testemunho do que Ele fez por você e em você para alcançar e salvar outras pessoas. Não há nada mais incrível que isso!

De escravos nos tornamos livres. De mortos, nos tornamos vivos. De incapazes, nos tornamos mais que vencedores. De pecadores, nos tornamos santos e novas criaturas… Moral da história: com Jesus não existe viagem perdida!

Xingamento Profético

“- Aqui está sua advertência! Traga assinada por seus pais.”

Essa foi a primeira e última vez que ouvi essa frase no colégio. Estava na primeira série do ensino fundamental e por andar sempre com pessoas mais velhas eu era mais saidinho. Motivo da advertência: “Usou palavras inapropriadas em sala de aula.” Sim, confesso meu pecado cometido aos 8 anos de idade, falei um palavrão em sala de aula (obrigado Jesus, pelo seu perdão completo). Sem querer me justificar, aqui vai a explicação: a professora, por algum motivo, disse que não teríamos aula o resto da semana. A turma inteira entrou numa de comemorar essa grande vitória, todos bradavam e se abraçavam como se não houvesse amanhã. Eu, então, não me contive e soltei o grito que me rendeu a bronca das broncas. Acontece que todo mundo parou de comemorar exatamente na hora que eu comecei gritar, isso significa que todos ouviram cada sílaba que saía da minha boca. Eu não tinha noção do que estava falando, não entendia o significado daquela palavra e muito menos sabia o porquê a palavra era tão feia assim.

Em momentos como este, de extrema euforia ou irritação, costumamos falar palavras das quais não temos noção do significado para tentar expressar o que se passa dentro de nós. O maior escritor da Bíblia, enquanto escrevia sua carta aos gálatas, passou por algo parecido. Em certo momento da carta, Paulo desabafa: “Gálatas insensatos!!” (Ga 3:1). A diferença é que ele sabia muito bem o que estava dizendo. Na verdade, ele estava sendo profético até no seu “xingamento”. Pois bem, é sobre o significado desse xingamento que eu quero falar…

Você já deve ter ouvido falar da história sobre como Davi casou-se com Abigail (1 Sm 25.2-42). Caso não tenha ouvido ou queira relembrar, aqui vai um breve resumo:

Abigail era muito bonita, inteligente e casada com Nabal, um homem extremamente rico, porém rude e mau (v.2). Davi envia homens com uma mensagem de Paz a Nabal (v.5-7), que reage de uma maneira extremamente grossa e rejeita o pedido pacífico de Davi (v.10). Este resolve matar Nabal, por ter o tratado como “ninguém” (v.13, 21), mesmo após ter sido super gentil com seus pastores. Enquanto Davi se encaminha para encontrar Nabal, Abigail entra em cena implorando que não o execute. Davi ouve o pedido e escolhe mantê-lo vivo. No dia seguinte de manhã, Abigail conta o que aconteceu para Nabal, que “sofre um ataque e fica paralisado por dez dias como uma pedra”, até que “o Senhor fere a Nabal, e ele morre” (v.37-38). Assim que Davi ouve sobre a morte de Nabal, ele manda uma mensagem a Abigail, pedindo-a em casamento. Na mesma hora Abigail aceita seu pedido e leva consigo cinco servas para servi-los (v.42).

Olhando essa história, podemos ver o que está por trás do que Paulo estava dizendo quando se referiu aos gálatas como insensatos. “Insensato” é o exato significado do nome Nabal (v.25). Nabal era um rapaz ruim e mau com sua esposa Abigail, que significa, “meu pai é Alegria”. Fica fácil de perceber que Abigail representa a graça e Nabal a Lei. Os dois juntos não geram um casamento sadio. E era exatamente o que Paulo estava falando aos gálatas. Ele estava extremamente irritado com eles por esse motivo muito sério: a mistura entre graça (favor imerecido) e a Lei (viver por seu próprio esforço e mérito) que eles estavam fazendo em suas crenças. A carta aos gálatas é o único livro da bíblia escrito com essa entonação, o que nos revela o quão odioso isso é para Deus.

Tenho para mim que Davi se apaixonou por Abigail desde a primeira vez que a viu, por isso que ele a atendeu. E o pedido de Abigail revela o que muitos cristãos hoje em dia fazem: “Ok, eu entendo que a Lei me traz condenação, julgo e peso. Mas é o que eu tenho. Eu não ligo de ouvir uma mensagem misturada. Por favor, não me tire isso”. Acontece que enquanto Nabal não morresse, Davi (que representa Jesus) não poderia se casar com Abigail.

Então Nabal sofre um ataque e a Bíblia diz que ele fica paralisado por dez dias igual a uma pedra (v.37-38) e aí o Senhor o fere e o mata. Vale a pena ressaltar que a Lei foi escrita em tábuas de pedra e seu cerne consistia em dez mandamentos. Essa história aponta para o fato de que “o fim da Lei é Cristo” (Rm 10.4), e que Ele completaria toda a Lei para que pudéssemos estar num relacionamento sadio com Deus, sem mistura alguma.

E finalmente, Abigail aceita se casar com Davi e a Bíblia nos dá um detalhe extraordinário, “Abigail leva consigo cinco servas” (v.42). O número cinco, se você já leu algum texto do Ritmos você já sabe, representa graça, favor imerecido. Ou seja, a graça nos servindo em nosso relacionamento com Jesus.

Por que isso é tão sério? Porque a Lei aponta para você mesmo e uma hora você cai em si e percebe que em você mesmo não existe salvação, santidade, muito menos satisfação e percebe que precisa de um salvador. A graça aponta para Jesus e só para Ele, que é a resposta para toda necessidade humana. Quando estamos em uma mistura, não estamos fazendo nem uma coisa, nem outra. Esse é o motivo de ser tão grave! Esse é motivo de Paulo estar extremamente irritado com os gálatas!

Minha intenção com esse texto é que você perceba que a graça tem o poder de servir a você em suas debilidades, sem a necessidade do peso e condenação da Lei. Você pode viver sendo servido e amparado pela graça e ser livre de toda mistura que tenta te impedir de viver completamente o que Deus tem para você.

Primeiro Amor

Eu me lembro de ter algumas paixões na minha infância e adolescência. Quando a gente está apaixonado o mundo muda. Tudo parece girar em torno daquela pessoa que se tornou o alvo da nossa paixão. Mas eu me lembro claramente da primeira vez em que eu tive essa paixão correspondida por alguém. Aí, sim, meu mundo virou de cabeça para baixo. É um dos melhores sentimentos que existem, você amar alguém e saber que essa pessoa te ama de volta.

Eu também me lembro de ter me apaixonado por Deus várias vezes, me dedicado novamente a Ele, feito um compromisso de buscá-lo mais. Mas nada se compara ao dia em que eu descobri que, na verdade, eu era o alvo da paixão dele. A vida com Ele tomou um novo sentido. Quando eu descobri o quanto Ele me amava, amá-lo de volta se tornou muito mais fácil e extremamente natural, como uma reação ao amor que Ele mostrava a mim. Entenda, Ele sempre me amou e sempre me mostrou isso, mas um dia a ficha caiu e eu fiquei tipo: “Wow! Deus me ama!”.

Sempre que eu ouço falar a respeito do “primeiro amor” eu percebo que o foco está na primeira situação em que eu vivia: um amor nem sempre correspondido. Você precisa voltar a amar a Deus como você amava no início, não importa o que você precise fazer para isso. E paramos por aí. Mas eu não acho que deva ser assim. Eu não acho que é isso que Jesus quis dizer ao falar com o pastor da igreja em Éfeso:

Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras;(…) (Apocalipse 2:4,5a)

 O que seria então essa repreensão de Jesus? O que Ele quer dizer com “primeiro amor”, senão o fato de voltar a amá-lo mais? Para responder isso, a gente precisa olhar o que significa a palavra “primeiro”. No original grego, a palavra usada aqui é prótos[1], que significa: “primeiro, antes, principal, mais importante”[2]. Essa palavra dá origem à palavra “protótipo” em Português. Ou seja, Jesus está dizendo ao pastor da igreja de Éfeso que ele deixou o amor principal, o mais importante, o amor que veio antes, como um protótipo para o nosso amor. Essa palavra, prótos, é a mesma palavra usada em 1 João 4: 19:

Nós amamos porque ele nos amou primeiro [prótos]. (1 João 4:19)[3]

Em outras palavras: nós sabemos o que é amor por causa do Amor que Ele nos mostrou. O Amor dele é o protótipo, o exemplo, aquilo que dá origem ao nosso amor por Ele e pelas pessoas. O versículo 10 desse mesmo capítulo de 1 João confirma que o amor consiste não em que o tenhamos amado, mas em que Ele nos amou e deu o seu Filho por nós. Isso é o que nos permite saber o que é o Amor. Isso é o que o nos capacita para amar. Esse é o Amor primordial, o Amor que nunca pode faltar, o Amor mais importante: o dele por nós. Então, o que Jesus realmente está dizendo é: “você se esqueceu do quanto eu te amo. Você se esqueceu que o mais importante não é o que você faz por mim, mas o que eu fiz por você e com isso as suas obras se tornaram vazias, mecânicas e meramente religiosas”.

E quanto ao que Ele diz sobre voltar à prática das primeiras obras? Eu creio que é uma questão de motivação. Se você olhar o versículo 3 de Apocalipse 2, vai ver que Jesus diz que esse cara trabalhava bastante para Deus. Eu creio que voltar a prática das primeiras obras diz mais respeito à forma como ele as praticava e não às obras em si. Ou seja, Jesus o exorta a voltar a trabalhar com o coração certo, com a motivação certa. Não para alcançar o Amor de Deus, mas porque ele já fora alcançado por ele.

Isso é o que eu entendo como voltar ao primeiro amor. É voltar não ao seu amor por Deus, mas voltar a se firmar no Amor dele por você. É se fascinar novamente com esse Amor e voltar a dizer: “Wow! Deus me ama”, como algo natural e sincero. É ser conquistado vez após vez pela Graça e ser arrebatado por um Deus que é loucamente apaixonado por você, ao ponto de se entregar para ter você pertinho dele. E pouco a pouco, seu coração vai sendo despertado e cada vez mais você quer estar com Ele, você não consegue ficar sem pensar nEle, você envolve Ele em tudo o que você faz. Não porque você quer mostrar alguma coisa, mas simplesmente porque essa é a única resposta plausível diante de um Amor tão grande!

Essa, meu querido leitor, é a minha oração para você e para mim.

 

Fontes:

[1] http://biblehub.com/interlinear/revelation/2-4.htm

[2] http://biblehub.com/greek/4413.htm

[3] http://biblehub.com/interlinear/1_john/4-19.htm

“Eu creio… Me ajude a crer!”

Frequentemente, eu me pego trocando coisas de lugar. Não coisas físicas, me entenda. Mas é que eu tenho uma mania de colocar uma importância maior em alguma coisa, quando na verdade essa coisa está lá para me ajudar a servir algo ainda mais importante. Então aquilo que era um meio, se torna um fim, e eu acabo perdendo de vista o que no princípio era o meu objetivo. Eu acho que essa é uma tendência humana.

Com a fé não é diferente. Eu ouço: “o justo viverá por fé” e “tudo o que você recebe de Deus, você recebe pela fé” e “sem fé é impossível agradar a Deus”. Então eu penso: “Putz! Fé é uma parada extremamente importante. Preciso de mais fé!”. E embarco numa jornada de me esforçar para crer mais, para aumentar a minha fé, fazendo disso o fim. Mas na verdade, a fé é um meio. É o que me conecta e me capacita a me relacionar com uma pessoa: Jesus. Quando eu paro em “preciso crer mais”, eu me esqueço de olhar para o alvo da minha fé e acabo perdendo o foco no que realmente importa: curtir o relacionamento com Jesus. E eu acabo me cansando, me desgastando, porque eu não consigo gerar mais fé. Não é algo que vem de mim, mas de Deus.

Aí eu penso no texto de Marcos 9:14-27. É a história de um pai que estava em uma situação de extremo desespero. Seu filho sofria com a possessão de um espírito demoníaco, que frequentemente se apossava do menino e fazia coisas horríveis com ele. Por vezes o lançava no fogo ou na água para tentar matá-lo. Eu penso no dia-a-dia daquele pai. Deveria girar em torno daquele filho. Nunca se sabia quando o espírito iria tentar mais alguma coisa, quando seria a próxima investida, como seria, quão grave seria. O pai devia ficar constantemente preocupado com o seu filho, ao ponto de chegar a um estado de exaustão e desesperança. No meio disso tudo, ele ouve falar que se aproxima da cidade um homem que anda por aí curando os enfermos e libertando os cativos e oprimidos por demônios. Uma última chama de esperança brilha nos olhos dele, levando-o a procurar esse homem, a quem chamam de Jesus. De início, apenas os seus discípulos estão presentes e eles não conseguem expulsar o espírito imundo, que continua a desafiá-los e a atormentar o jovem. O pai começa a perder as esperanças. Talvez não tivesse sido uma boa ideia trazê-lo, afinal. Mas de repente, ouve-se um burburinho: Jesus está vindo! Junto com a multidão, o pai corre em direção àquele que representa a última esperança de cura para o seu filho. Depois de explicar a situação a Jesus, o pai faz um apelo que demonstra todo o seu desespero, toda a sua vulnerabilidade:

“Se podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos”. (Marcos 9:22) Ele tem consciência de que ele mesmo não consegue. Ele já chegou no seu limite. Se existe alguém que possa fazer alguma coisa, esse alguém é esse homem que se encontra na sua frente. A resposta de Jesus é bastante conhecida e muito usada ainda hoje nos círculos cristãos:

“Se podes? “, disse Jesus. “Tudo é possível àquele que crê. ” (Marcos 9:23)  

Jesus vira o jogo para o homem. “Se eu posso? Sim, eu posso… Você consegue crer que eu posso?”. Veja, muitas vezes a gente acha que Jesus coloca o peso de crer sobre o pai. Mas na verdade, Jesus é aquele que crê. O que Ele queria com essa pergunta era despertar no homem o resquício de fé que ainda existia dentro dele, o que era necessário e suficiente para se conectar a fé do próprio Jesus. Veja o que ele responde a Jesus:

Imediatamente o pai do menino exclamou: “Creio, ajuda-me a vencer a minha incredulidade! ” (Marcos 9:24)  

Eu acho essa resposta incrível! Cheia de sinceridade e simplicidade. “Jesus, eu creio. Me ajude a crer! Eu creio que você pode, mas eu preciso vencer a minha dúvida. Eu creio que você crê na cura do meu filho, me ajude a ficar firme nessa crença.” No final das contas, isso era tudo o que aquele homem precisava: crer em Jesus e no desejo dele de curar e libertar o filho dele. Crer no amor de Jesus e na sua compaixão. Ele não precisava crer nos detalhes do milagre. Ele não precisava crer no milagre. Ele precisa crer naquele que iria fazer o milagre. Isso é fé na sua mais simples e efetiva forma: confiar em Jesus, mesmo que todo o seu ser queira duvidar.

Por isso, eu não quero ficar focado na minha fé. Eu não quero ter fé na minha fé. Eu quero focar no autor e consumador dela. Eu quero confiar naquele que crê em todas as coisas, e por isso pode todas as coisas. Eu não preciso de mais fé, eu preciso de focar mais em Jesus e ouvir a voz dele. Com isso, a minha fé cresce e se torna cada vez mais firme.

Eu amo o fato de que eu sirvo um Deus cheio de compaixão. Um Deus que não espera que eu tenha tudo resolvido para poder estender a mão e me ajudar. Um Deus que não hesita em me levantar quando eu estiver afogando, mesmo que minha incredulidade tenha me levado para lá. Tudo que Ele precisa é de um simples gesto de confiança. Eu estendo a mão e ele está lá para segurá-la. Eu me lanço e Ele está lá para me agarrar. Mesmo que eu não tenha tudo resolvido, Ele não se exaspera. Ele me trata com paciência e me guia até que eu chegue em um ponto de confiança sem limites, de uma fé inabalável, de uma certeza imutável. Mas no fim das contas, a postura nunca muda: tudo o que eu preciso é confiar nele e o resto Ele vai fazer.

Estações, dias, anos, ciclos

Todo final de ano é a mesma coisa. As pessoas se tornam mais reflexivas, começam a pensar no que fizeram no ano que se passou e a propor metas e alvos para o ano seguinte. Todo mundo se esforça para entrar no novo ano com um “pensamento positivo”, esperando que as coisas mudem, que o próximo ano “traga coisas boas”. Esses discursos já viraram cliché. Isso me faz perguntar… O que tem de tão especial na virada de ano? Se você parar para pensar, não existe nada aparentemente diferente no dia 1o de Janeiro que não estivesse acontecendo no dia 31 de Dezembro. O Sol continua brilhando, o dia tem 24 horas, as pessoas são as mesmas e a Terra é a mesma, exceto que agora ela acabou de dar uma volta em torno do sol. Não obstante, os anos existem, e foi da vontade de Deus que assim fosse. E isso me faz perguntar o porquê. O que me leva a Genesis 1, especificamente ao quarto dia da criação, o dia em que Deus cria o Sol, a Lua e as Estrelas:

Disse Deus: “Haja luminares no firmamento do céu para separar o dia da noite. Sirvam eles de sinais para marcar estações, dias e anos, e sirvam de luminares no firmamento do céu para iluminar a terra”. E assim foi. (Genesis 1:14,15)

 Deus, embora tivesse feito a luz e a separação entre luz e trevas no primeiro dia, criou os luminares apenas no quarto, com o objetivo claro de marcar estações, dias e anos. Com isso, através do ambiente no qual Ele nos colocou, eu creio que Deus quer nos passar uma mensagem a respeito de como devemos viver as nossas vidas.

Nossa vida é feita de estações. Na natureza, cada estação determina o tempo e a forma como as coisas acontecem. Na primavera as flores surgem, no verão vem o calor e os frutos, no outono as folhas caem das árvores como uma preparação para o frio que o inverno traz. Você pode até preferir uma estação a outra, mas você há de concordar que cada uma tem sua beleza. Assim também, nossa vida é feita de fases. Existe um tempo para todas as coisas, como nos diz Eclesiastes 3:1. As vezes nós tentamos antecipar uma estação, sair daquela na qual estamos atualmente, mas isso não é saudável. É como tentar usar roupas de verão durante o inverno. Não funciona! Você precisa entender que a fase pela qual você está passando tem um propósito e uma beleza. Se você não desfrutar dela agora, não poderá fazê-lo quando passar para a próxima.

Nossa vida é feita de dias. Quando nós temos um alvo, um objetivo, sempre somos tentados a viver o futuro em vez do presente. Em vez de vivermos o dia que temos hoje, queremos antecipar o que vai acontecer amanhã. Mas o amanhã ainda não nos pertence. Da mesma forma, somos as vezes tentados a ficar presos no passado, nos culpando pelo que fizemos de errado ou saudosos pelos grandes dias de ouro. Mas o ontem não pode fazer mais nada por nós. Tudo o que temos é o Hoje. E a Bíblia deixa claro ao dizer que Hoje é o dia no qual Deus trabalha (Sl 118:24, Mt 6:11, Hb 4:7). Aprenda a viver um dia de cada vez. Por mais cliché que isso pareça, essa é sua única opção. Aprenda a viver o Hoje como o único dia que você tem.

Nossa vida é feita de anos. É óbvio que não podemos viver por aí sem um propósito ou sem um objetivo. Apesar de vivermos dia a dia, precisamos pensar a longo prazo. E é aqui que entra a beleza do ano: diz respeito a planos, metas, objetivos, sonhos. É sempre bom planejar, sonhar e ter desejos realizados. Faça tudo isso, mas faça tudo girar em torno de Jesus. No final, Ele é o propósito maior das nossas vidas, Ele é o nosso sentido, o nosso alvo e a vontade dele é a melhor para nós. Afinal, Ele é aquele que veio anunciar o Ano do Favor do Senhor (Lucas 4:19). É o Favor, a Graça dele sobre você que faz o seu ano ser um ano de vitória.

Por último, nossa vida é feita de ciclos. A cada 24h nós temos um novo dia. A cada 365 dias nós temos um novo ano. Em cada ano nós temos as mesmas 4 estações. Isso nos mostra que não importa o quanto você tropece, caia ou venha a falhar, sempre há uma chance de um novo começo. Existe uma nova estação, um novo dia, um novo ano. Nunca é tarde para recomeçar. Nunca é tarde para se arrepender. Nunca é tarde para voltar pra onde você caiu e viver tudo o que Deus tem para você.

Talvez você precise aprender a enxergar a beleza da estação em que você se encontre. Talvez você precise aprender a viver ao máximo cada dia. Talvez você precise colocar os seus anos diante de Deus ou talvez você precise recomeçar. Não importa onde você esteja, Jesus é a resposta para você. Nada disso depende da nossa força ou da nossa capacidade, ou da nossa disciplina. Tudo depende dele. Tudo é por causa dele. Fixando os nossos olhos nele, nós podemos viver os melhores dias, as melhores estações e os melhores anos das nossas vidas, em um ciclo interminável de Graça e Bondade!

Feliz Ano Novo!

Equipe Ritmos da Graça
Bruno Döhler, Caio Daniel, João Emílio.

 

Jesus está sentado

Você já conheceu alguém que não consegue ficar parado? Alguém que está sempre fazendo alguma coisa, sempre com uma tarefa para com a qual se ocupar, e se for preciso até inventa uma nova função para não ficar sem fazer nada? A casa está em perfeita ordem, mas eles vão achar um móvel que está um milímetro fora do lugar e isso vira motivo para reorganizar a sala inteira. Para essas pessoas o trabalho nunca está completo; sempre existe algo a fazer. Descansar não é uma opção.

Pois é! Jesus não é uma dessas pessoas. Não me leve a mal, Ele é um trabalhador. Na sua vida aqui na terra, Jesus sempre se mostrou um servo. Quando pequeno, ajudava José na carpintaria. Quando crescido, serviu ao seu Pai no ministério incansavelmente, indo de uma cidade a outra, pregando o Evangelho, curando os enfermos… Sim, Jesus era bastante ativo! Em Mateus 8:20, o próprio Jesus disse que Ele não tinha onde reclinar a cabeça. Ou seja, enquanto esteve aqui na terra, Jesus não teve descanso. A todo tempo ele vivia de acordo com o que Ele disse em João 5:17: “Meu Pai trabalha até agora e eu trabalho também”.

Mas isso porque ainda existia trabalho a ser feito. Jesus tinha uma obra a cumprir, portanto não descansaria enquanto não a cumprisse. Do contrário Ele não seria um servo Fiel. Mas uma vez que o trabalho estivesse completo, não haveria motivo para continuar trabalhando, certo? E foi exatamente isso que aconteceu. Dê uma olhada comigo em João 19:30, que relata o momento em que Jesus entregou o seu espírito:

E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. (João 19:30)

 Nós vimos que em Mateus 8:20, Jesus disse não ter lugar para fazer o que? Reclinar a cabeça! E é exatamente isso o que acontece em João 19:30. Repare que Jesus reclina a cabeça antes de entregar o espírito. O normal seria alguém morrer e depois, como consequência, sua cabeça penderia e ficaria inclinada. Mas é como se Jesus tivesse intencionadamente inclinado a cabeça antes de morrer, como se para nos dizer algo. É como se Jesus estivesse dizendo: “Agora que o trabalho está consumado, completo, eu posso reclinar a minha cabeça e descansar”.

De fato, a Bíblia confirma isso ao dizer em Hebreus 10:

E assim todo o sacerdote aparece cada dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar os pecados; Mas este, havendo oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados, está assentado à destra de Deus, Daqui em diante esperando até que os seus inimigos sejam postos por escabelo de seus pés. Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados. (Hebreus 10:11-14)

Como nosso sacerdote, o trabalho de Jesus é nos representar diante de Deus e oferecer sacrifício pelos nossos pecados para que sejamos aceitáveis diante d’Ele. Na Antiga Aliança, os sacrifícios não eram capazes de tirar os pecados e aperfeiçoar aqueles por quem eram oferecidos. Por causa disso, o sacerdote estava sempre trabalhando, sempre oferecendo um novo sacrifício, sempre fazendo algo a mais para que o povo fosse aceito por Deus. Mas o nosso sumo-sacerdote, ofereceu um único e perfeito sacrifício e se assentou, porque seu sacrifício nos tornou justos e aceitáveis a Deus para sempre. Ele se assentou porque não existia mais nada a ser feito. A obra estava consumada.

Amigo, Ele continua sentado até hoje. A obra dele continua sendo completa. Não existe mais nada que precise ser feito para que nós sejamos justos diante de Deus. Isso é uma boa notícia. Porque significa que nós não precisamos mais pagar o preço pelos nossos pecados. Nós não temos que nos esforçar para sermos perdoados. Nós não precisamos nos basear na nossa performance para obtermos o Favor de Deus. Ele fez isso por nós e se assentou, e espera que nós façamos o mesmo: descansemos no fato de que a Obra foi consumada e desfrutemos do que Ele já conquistou.

Eu quero que você tenha sempre mente a imagem do seu Campeão, Jesus porque isso vai afetar a forma como você vive: Ele não está preocupado com o Pecado, ele não está na beira do seu assento roendo as unhas sem saber o que vai acontecer na próxima cena, ele não está em pé, trabalhando para completar o trabalho que ele não conseguiu terminar a tempo. Não! Ele está assentado, soberano, acima de todo governo e autoridade, acima de todo nome, acima de todo poder, descansando até que a plenitude do que Ele conquistou se manifeste. Glória a Deus porque podemos descansar nisso. Glória Deus porque podemos ter certeza de quem nós somos e do que temos nele! Glória a Deus porque podemos fixar os nossos olhos naquele que venceu e reina para todo o sempre!

O Dia do Perdão

A partir da tarde de ontem e durando até hoje é celebrado o dia mais importante do calendário judaico: o Yom Kippur, ou “dia do perdão”. Como para os judeus o dia começa às seis horas da tarde, ele é celebrado da tarde da sexta até a tarde do sábado.

Se você não está familiarizado com o que acontece nesse dia, permita-me te dar um breve resumo. A instituição dessa cerimônia está descrita lá no capítulo 16 de Levítico e até hoje é observado pelos judeus. Embora nós não estejamos mais obrigados a cumprir essa celebração, creio que podemos aprender muito com ela se nos lembrarmos que tudo na Antiga Aliança é sombra daquilo que estava por vir em Cristo.

O Yom Kippur acontece uma vez por ano, no décimo dia do sétimo mês do calendário hebraico. Nesse dia, o sumo-sacerdote deveria fazer uma série de rituais e sacrifícios para expiar (que simplesmente significa pagar o preço por algo) os pecados do povo de Israel.

Levítico 16 começa com Deus instruindo Arão a não entrar no Santo dos Santos, o lugar onde a presença de Deus estava, qualquer hora que ele quisesse, senão ele morreria (v. 2). Ele só deveria entrar nesse dia específico e depois de fazer todo um ritual específico. Primeiro ele vestia uma veste especial, depois oferecia um sacrifício por ele e pela sua família e depois pegava duas cabras do povo. Uma delas era sacrificada e tinha o sangue derramado sobre a arca da aliança, para que a ira de Deus fosse desviada e a outra era solta no deserto para simbolicamente levar os pecados do povo para longe. Depois desse ritual os pecados de todo aquele ano teriam sido cobertos e o povo estaria bem com Deus por mais um.

Aqui nós já podemos parar e ver como isso tudo aponta para Jesus. Hebreus 9:11-14 diz que Jesus é o nosso sumo-sacerdote que entrou na presença de Deus por nós e não derramou sangue de bodes ou touros, mas o seu próprio sangue para nos purificar e nos perdoar todos os pecados. E ele não só nos perdoou, como afastou os nossos pecados de nós. Lá na cruz Ele aniquilou a nossa natureza pecaminosa, nos fazendo novas criaturas, santos, justos, perfeitos por meio da Obra dele. Por causa disso, não existe mais Ira de Deus sobre nós.

Mas não para por aí. Se você continuar lendo o texto de Levítico, você vai ler que Deus ordena que todo o povo aflija sua alma (v. 29). Mas pera aí… Eles acabaram de ser perdoados. Porque ficar aflito num dia como esse? É aqui que entra a diferença entre a Antiga e a Nova Aliança. Veja o que Hebreus 10 diz sobre isso:

“A Lei traz apenas uma sombra dos benefícios que hão de vir, e não a realidade dos mesmos. Por isso ela nunca consegue, mediante os mesmos sacrifícios repetidos ano após ano, aperfeiçoar os que se aproximam para adorar. Se pudesse fazê-lo, não deixariam de ser oferecidos? Pois os adoradores, tendo sido purificados uma vez por todas, não mais se sentiriam culpados de seus pecados. Contudo, esses sacrifícios são uma recordação anual dos pecados,

pois é impossível que o sangue de touros e bodes tire pecados.” (Hb 10:1-4)

Na Lei, o tema dessa congregação era o pecado. Todo ano o povo de Israel era lembrado do quão pecadores e falhos eles eram. Se esses sacrifícios fossem suficientes, seria necessário fazê-los uma só vez. Mas a cada ano a mensagem era: “Vocês estão bem por hora. Mas tenham certeza que daqui a um ano estaremos reunidos de novo, afinal, vocês são pecadores e pecadores pecam. Ponto final.”

Na Nova Aliança é diferente. Jesus “por meio de um sacrifício, aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados”. (Hb 10:14) Estes somos nós. Você e eu fomos santificados pelo sangue do Cordeiro. Estamos eternamente cobertos pela perfeição de Cristo. Hoje, o tema central da nossa vida não deve ser o quanto somos pecadores, mas quão grande é o nosso Salvador. Quando entendemos que Deus nos perdoou por completo e para sempre, nos tornamos livres para focar a nossa atenção e devoção nele.

E aí a gente volta para o início do capítulo, onde Deus instrui Arão a não entrar qualquer hora na Presença dele para que não morra. Na Lei havia sempre essa distância, essa incerteza se o sacrifício seria ou não aceito. Agora, na Nova Aliança, por causa da perfeição do sacrifício oferecido por nós, somos livres para entrar a qualquer hora na presença de Deus. Hebreus 4:16 nos convida a nos achegarmos “com ousadia ao trono da Graça, (…)para que encontremos ajuda no tempo oportuno”. O tempo oportuno é agora! É quando você mais precisa da Graça de Deus. Você é livre para entrar na presença dele com liberdade. Você é livre para estar na presença dele continuamente, todo o dia e a todo momento. Simplesmente porque Ele te ama e no dia em que Jesus morreu por você, maior Dia do Perdão que já existiu, Ele te tornou totalmente aceitável a Ele.

#NoMakeUpSelfie

O desafio se tornou viral na internet. Por toda a minha timeline eu vejo publicações de mulheres postando fotos suas sem maquiagem. Eu ainda não entendi muito bem o objetivo, mas eu sei que envolve desafiar mais alguém e essa pessoa, caso não cumpra o desafio, precisa te dar uma maquiagem. Pelo que eu pesquei das informações, acho que se trata de um protesto contra o atual padrão de beleza, que prima por uma beleza artificial em detrimento à beleza natural da mulher. O que eu acho válido. Muitas vezes a mulher sente que não terá sua beleza valorizada se não estiver maquiada, se as suas “imperfeições” (segundo o padrão imposto) não forem escondidas. Isso não é nada saudável.

Mas como você deve imaginar, esse post não se trata da minha opinião sobre se é bom ou não usar maquiagem… É que isso me fez pensar: quantas vezes a gente recorre aos mesmos artifícios para esconder algo que não gostamos na nossa vida? Quantas vezes nós não usamos uma “maquiagem espiritual” para camuflar nossos defeitos? Fazemos isso por medo de sermos rejeitados, rotulados, acusados…

O ambiente cristão, ao contrário do que deveria ser, muitas vezes apenas estimula esse comportamento. Nós somos mestres em criar expectativas e padrões, rotulando quem não os alcança como “menos espiritual”, ou “menos maduro”. O resultado é um só: não existe liberdade para que as pessoas sejam elas mesmas. Não existe um espaço para sinceridade. O problema é que não há perspectiva de mudança real em um ambiente como esse.

O que eu quero propor nesse texto, é uma campanha #NoMakeUpSelfie espiritual. E não estou sozinho nessa. Meu apoio vem do próprio apóstolo Paulo, em 2 Coríntios no capítulo 3:

 E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito. (2 Co 3:18)

 Deixe-me te dar o contexto. Nesse capítulo Paulo começa a fazer um paralelo entre o ministério da Lei e o da Graça. Ele cita como a Glória da Nova Aliança é muito maior do que a da Antiga e que aquela é uma Glória que permanece, não é passageira como a antiga. Mas aí ele começa a fazer uma analogia interessante usando Moisés. Ele diz que Moisés usava um véu sobre o seu rosto para que o povo não visse que o resplendor da sua face estava desvanecendo. A parada é que Moisés quando subiu ao monte Sinai e se encontrou com Deus, ele desceu com o rosto brilhando por causa do contato que teve com a Glória de Deus. Aos poucos essa glória foi passando, mas Moisés não queria que o povo notasse isso. Assim, ele colocava o véu para que ninguém percebesse que ele já não estava mais tão “brilhoso” e assim começassem a questionar sua autoridade.

Soa familiar? Não é o que fazemos muitas vezes? Eu não sei você, mas quantas vezes eu coloquei um véu de uma performance sobre o meu rosto. Caramba! Quantas vezes eu banquei o espiritual quando tudo o que eu queria era gritar por socorro. Mas eu não podia porque tinha medo de que as pessoas vissem minhas falhas e me julgassem.

Mas Paulo nos dá a solução:

Mas quando alguém se converte ao Senhor, o véu é retirado. Ora, o Senhor é o Espírito e, onde está o Espírito do Senhor, ali há liberdade. (2 Co 3:16,17)

 O versículo 17 é muito citado em várias ocasiões, mas só agora eu percebi o que ele quer dizer, olhando-o dentro do seu contexto: quando você encontra a Jesus, e entende que o seu valor, a sua identidade, a sua posição diante de Deus não estão baseados na sua performance, mas na performance perfeita de Cristo, você se torna livre! Livre para ser quem você é sem ter medo de ser rejeitado, porque você já foi aceito por Ele. Livre para mostrar suas falhas quando preciso e contar com a ajuda do Espírito Santo. Livre das expectativas, livre da condenação e da pressão de agradar a todos, livre da prisão de tentar ser algo que você não é, livre para ser quem você realmente é no seu Espírito. Você é um Filho amado! Justo, santo, perfeito em Cristo! E isso independe da sua performance.

Esse é o tipo de comunidade que nós temos que ser: uma comunidade sem véu. Afinal, somos gente da Nova Aliança. O Espírito Santo habita em nós, portanto onde estamos há liberdade! Que possamos proporcionar essa liberdade uns aos outros, por meio das nossas ações, respostas e palavras.

O resultado a gente já viu no versículo 18: quando tiramos o véu, deixamos a performance de lado e olhamos para Jesus, o próprio Espírito nos transforma de Glória em Glória na imagem de Cristo. É aqui que habita o poder para mudar.

Se você se encontra hoje em uma prisão, colocando uma máscara espiritual para que ninguém veja sua vulnerabilidade, basta! Seja livre em nome de Jesus! Se glorie nas suas fraquezas e na força da Cruz de Cristo! Você não precisa ser perfeito, você precisa confiar no Sacrifício perfeito. A transformação virá como resultado natural disso. Mas o primeiro passo é aceitar o desafio: chega de maquiagem!

Conselhos a uma alma hiperativa

Eu me lembro de, quando criança, ser bastante inquieto, hiperativo. Não conseguia ficar parado um minuto sequer. Estava sempre correndo, falando, batendo o pé, batucando, fazendo alguma coisa. O que não agradava muito as pessoas a minha volta. Não foram poucas as vezes em que ouvi: “Fica quieto, menino!” ou “Esse menino não para, meu Deus!”. Pois é, esse era eu. Ninguém me parava. Na verdade, havia uma pessoa capaz de por um fim as minhas ondas de inquietações: minha mãe. Ela tinha um jeito especial de segurar uma certa área da minha costela que me fazia aquietar na mesma hora! Um instante e você veria um outro menino, quieto, sóbrio, centrado.

Ás vezes eu me sinto assim internamente. Como se existisse uma mini versão do meu eu infanto-juvenil morando dentro do meu coração, correndo pelas salas da minha alma fazendo barulho, batucando, sem parar quieto. Por vezes sinto o meu coração agitado, minha alma perturbada, meu interior se revolvendo com a necessidade de fazer alguma coisa quando eu deveria estar descansando em Deus. Talvez pelo meu histórico de hiperatividade, descansar ás vezes não é uma tarefa fácil. Eu entendo perfeitamente porque a Bíblia nos manda “esforçar para entrar no descanso” em Hebreus 4:3. Ás vezes eu queria que eu pudesse, como minha mãe, dar um beliscão na minha alma para ela ficar quieta e parar de se agitar com qualquer coisa… Mas não consigo.

E parece que eu não sou o único a sofrer com isso. Sabe Davi? Então, duas vezes no salmo 42 ele faz uma pergunta e dá um conselho para a sua alma:

 “Por que você está assim tão triste, ó minha alma? Por que está assim tão perturbada dentro de mim? Ponha a sua esperança em Deus! Pois ainda o louvarei; ele é o meu Salvador e o meu Deus.”( Sl 42:5,11).

 Eu amo a sinceridade de Davi e a forma como ele conversa consigo mesmo. Eu me identifico. Quantas vezes eu tenho que dizer para mim mesmo: “Espera em Deus! Confia nele! Ele nunca falhou, nunca te abandonou! Lembra de todas as vezes que Ele te socorreu e foi fiel com você, cara!”. Mas ás vezes parece não adiantar. O que fazer quando o seu eu hiperativo não quer te ouvir? Para descobrir isso, vamos a um texto bastante obscuro e desconhecido da Bíblia. Poucos conhecem esse texto e sua interpretação é complicada e requer bastante conhecimento hermenêutico e exegético. Me refiro ao Salmo 23.

“O SENHOR é meu pastor e nada me faltará. Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso; refrigera-me a alma.”(Salmo 23:1-3)

 Quem te faz repousar? Quem te leva para as águas de descanso? Quem refrigera, restaura, acalma a sua alma? Deus! Como sempre, a resposta não está em você, mas nele! Ele é o responsável por te fazer descansar, Ele é o responsável por te dar descanso. Efésios 2:6 diz que ele nos fez assentar com Cristo nos lugares celestiais, em uma posição de descanso e vitória. Ele é quem nos fez assentar.

Mas isso parece pouco prático. Como eu experimento isso na minha vida? Porque, querendo ou não, minha alma continua esperneando dentro de mim.

Bem, existe algo que você precisa fazer: aceitar a paz que Deus já concedeu a você.

“Porque assim diz o Senhor DEUS, o Santo de Israel: Voltando e descansando sereis salvos; no sossego e na confiança estaria a vossa força, mas não quisestes.” (Isaías 30:15)

Olhe o que Deus está dizendo aqui! Ele ofereceu seu descanso e a sua Paz ao povo de Israel, mas eles não quiseram. Eles escolheram não confiar em Deus, mas em si mesmos. O resultado disso é desastre certo. Se você quer descansar, se recuse a recusar o descanso que Ele te oferece. Não se apegue às suas preocupações, aos seus medos, aos seus esforços… Se renda e deixe Ele te conduzir ás águas de descanso. Pare de tentar, e deixe Ele fazer o que você não consegue fazer.

O trabalho dele é te dar descanso, o seu trabalho é não atrapalhar o trabalho dele. É manter a mente nele e deixar que Ele te conserve em plena paz (Isaías 26:3). Pare de focar nas suas circunstâncias e foque naquilo que a voz dele está dizendo para você: “Eu estou aqui. Eu te amo! Eu estou contigo todos os dias até o fim do mundo e além. Ninguém te tira da minha mão. Você é meu!”

Em caso de desespero, cave um buraco

Situações desesperadoras. Você já passou por alguma? Creio que sim. Eu, pelo menos, já me encontrei em algumas delas. Situações em que eu me pergunto como eu fui parar ali. Situações em que eu me pergunto como vou sair dali. O que fazer em momentos como esse? Qual deve ser a nossa reação?

Em 2 Reis 3 nós vemos a história de três reis que se colocaram em uma situação como essa, juntamente com os seus exércitos. Na época em que essa história se passa, havia um reino chamado Moabe que era submisso ao reino de Israel e era obrigado a pagar um tributo ao rei de Israel, Jorão. Acontece que o rei de Moabe, Messa (não confundir com o jogador de futebol), ficou bolado com essa situação e decidiu se rebelar contra Israel e parar de pagar o tributo. Nem preciso dizer que Jorão ficou indignado com a situação e decidiu entrar em guerra contra Moabe para tirar essa história a limpo. Não querendo ir a luta sozinho, ele chamou mais dois reis para juntarem suas forças com ele: Josafá, rei de Judá e o rei de Edom. Foram-se então os três reis com os seus exércitos a caminho de Moabe, mas depois de uma marcha de sete dias, não havia mais água para o exército e todos estavam prestes a morrer de sede. Esse é o background da nossa história.

A primeira reação do rei de Israel chega a ser cômica. Ele pergunta: “Será que Deus nos trouxe aqui para nos matar de sede e nos entregar nas mãos de Moabe?”. Ahn? Que eu me lembre ninguém perguntou a Deus nada com relação a isso. O próprio rei decidiu ir a guerra, ele mesmo ajuntou os exércitos e ele mesmo os conduziu até ali. Mas como sempre, a primeira reação é culpar a Deus. Não sei se você já fez isso. Eu já. Muitas vezes eu me encontrei em situações desesperadoras produzidas por minhas próprias ações, minhas próprias pernas me levaram até ali, mas minha pergunta era: “Por que, Deus?”.

Continuando a história, no meio dessa confusão toda, alguém finalmente coloca a cabeça no lugar e faz a pergunta certa. Josafá levanta a mão e pergunta: “Será que não há aqui profeta do Senhor para que possamos consultar o Senhor por meio dele?”. Ou seja: vamos ver o que Deus acha disso tudo. Ás vezes nós focamos tanto em tentar achar um culpado, que nos esquecemos de tentar encontrar uma solução para o problema. Enquanto Jorão ficou choramingando, colocando a culpa em Deus, Josafá foi mais inteligente ao reconhecer que a única forma de sair daquela situação era confiar em Deus e na direção dele. É claro que seria melhor que eles tivessem lembrado de perguntar antes de sair para a guerra, mas antes tarde do que nunca! Talvez você esteja numa situação como essa e esteja gastando tempo tentando definir como foi que você foi parar ali, o que deu errado, quem foi o culpado… Pare! Foque na solução em vez de focar no problema. Silencie as outras vozes e decida perguntar: “Será que Deus tem algo a falar sobre isso?”.

Sim, havia um profeta por ali, seu nome era Eliseu, filho de Nebate. Deus tinha preparado a solução mesmo antes do problema surgir. Ele estava ali só esperando alguém dar a oportunidade, fazer a pergunta certa. A solução dele, no entanto, é muito estranha e algo que você não quereria fazer em caso de sede extrema. Deus ordena que eles cavem muitas cisternas no vale onde eles estavam:

“Assim diz o Senhor: Cavem muitas cisternas neste vale. Pois assim diz o Senhor: Vocês não verão vento nem chuva, contudo este vale ficará cheio de água, e vocês, seus rebanhos e seus outros animais beberão.” ( 2 Rs 3:16,17)

Imagina a situação: o exército inteiro está morrendo de sede, portanto qualquer esforço se torna descomunal e sacrificial. Agora eles tem que gastar suas últimas energias cavando buracos, sem as ferramentas próprias, sem saber se isso vai funcionar ou não. Repare no que Deus deixa claro: “Vocês não verão vento nem chuva”. Vocês não verão. Vocês vão ter que cavar sem ver água nenhuma, mas terão que confiar que Deus vai encher os buracos. Isso é fé. O que Deus queria é que eles demonstrassem a confiança deles por meio de uma ação. “Fé é a certeza de coisas que se esperam e a prova de fatos que não se veem”. (Hb 11:1). Fé é cavar o buraco confiando que Deus vai enchê-lo, mesmo sem ver a água chegar. Fé é se preparar para o milagre quando ele ainda não chegou. Fé é agir com base no que Deus te dirigiu, na certeza de que Ele vai cumprir o que prometeu.

Mas a melhor parte vem agora. Fazer a pergunta certa (pedir a direção de Deus) e agir em fé com base no que Deus te dirigiu são os passos que te levam para essa fase. A Bíblia diz que na hora do sacrifício da manhã, a água veio descendo da direção de Edom e alagou a região. E certamente, os buracos estavam lá para reter a água. Entenda, não foram os buracos que produziram a água, mas não fosse por eles, a água não seria retida e aproveitada pelo exército. A sua fé não é o que produz o milagre, mas é o que te capacita a recebe-lo.

O que produz o milagre então? A resposta está nas palavras: “na hora do sacrifício da manhã”. Esse sacrifício aponta para Jesus. A Bíblia nos diz que Jesus foi crucificado às 9 horas da manhã (Marcos 15:25) e muitos argumentam que esse seria exatamente o horário do sacrifício da manhã. Ainda que não seja esse o horário exato, o sofrimento de Jesus não começou às 9 horas, mas muito mais cedo no Sinédrio e depois no pátio de Pilatos. Portanto, sem dúvida, o sacrifício de Jesus por nós é simbolizado pelo sacrifício da manhã, e é esse sacrifício que nos traz provisão, que nos libertou do desespero e muito mais, que saciou a nossa sede, nos dando uma nova vida com Deus. Nós estávamos fadados a morte, assim como os 3 reis e seus exércitos, mas o sacrifício de Jesus nos trouxe vida!

E não para por aí. A Bíblia continua dizendo que por causa do reflexo do sol na água, os moabitas a perceberam vermelha como sangue e acharam que os reis haviam lutado entre si e se matado, indo descuidadamente ataca-los. Mas os exércitos dos três reis, agora revigorados e saciados, estavam preparados para lutar e os puseram em fuga e os destruíram. Isso nos fala que o sangue de Jesus, além de nos dar provisão e nos livrar da morte, confunde os nossos inimigos e os destrói. De fato a bíblia diz que Jesus expôs os nossos inimigos à vergonha pública na cruz (Colossenses 2:15).

A cruz é a nossa resposta! O sacrifício de Jesus já providenciou para nós tudo o que precisamos para vencer qualquer situação, por mais desesperadora que seja. Tudo o que Ele pede de você é que você creia nisso e esteja preparado para receber o milagre, a cura, a libertação, a provisão sobrenatural que ele já produziu pela sua Graça!