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Mythbusters (Parte 5) – Hebreus 6.4-6

“Ora, para aqueles que uma vez foram iluminados, provaram o dom celestial, tornaram-se participantes do Espírito Santo, experimentaram a bondade da palavra de Deus e os poderes da era que há de vir, mas caíram, é impossível que sejam reconduzidos ao arrependimento; pois para si mesmos estão crucificando de novo o Filho de Deus, sujeitando-o à desonra pública.”

(Hebreus 6.4-6)

 

Enquanto estava fazendo meus estudos a respeito desta passagem, deparei-me com o que, em minha opinião, podem ser dois dos maiores – e mais danosos – mitos dentro da igreja. São eles: (1) enquanto o cristão continuar no pecado (caído) não pode haver perdão (ser reconduzido ao arrependimento); e (2) o cristão pode perder a sua salvação se pecar. Desde já eu quero dizer que ninguém aqui está fazendo apologia ao pecado. Nós do Ritmos da Graça odiamos o pecado. Mas é fundamental que a igreja tenha um entendimento saudável sobre este assunto, ou então corremos risco de tirar o foco da nossa fé de Jesus e colocar na nossa capacidade de cumprir regras e combater o pecado.

Bom, vamos analisar este texto por partes. Primeiro, precisamos entender os versículos 4 e 5. Estes dois versos são apenas uma descrição dos destinatários da carta aos Hebreus: judeus recém convertidos ao cristianismo. Jesus afirma em João 8.12 que Ele é a luz do mundo e que aqueles que o seguirem jamais andariam em trevas; seriam, portanto, iluminados. Em Efésios 4.8, Paulo conta que a salvação é um dom de Deus, ou um dom celestial. E acrescenta em 1 Coríntios 6.19 dizendo que aqueles que foram salvos são templo do Espírito Santo, e assim, participantes d’Ele. Perceba como o autor é enfático em dizer que o seu público alvo, um grupo de “ex-judeus”, já tinham experimentado o novo nascimento.

Dizendo isto, continuemos para a parte crítica do texto: “mas caíram”. A palavra original aqui é parapiptó. Olhe em qualquer dicionário de grego e você verá que esta palavra não tem absolutamente nada a ver com cometer atos pecaminosos. Nada. Ela significa cair, desistir, abandonar o Cristianismo para voltar a uma antiga fé. Aqui, quero voltar ao parágrafo anterior. Quem estava lendo esta carta? Ex-judeus. Então “cair” significa voltar as práticas do judaísmo, voltar para a Lei!

Continuando no verso 6, lemos a expressão “é impossível que sejam reconduzidos ao arrependimento”. Pense comigo, se estes recém convertidos abandonaram o cristianismo e voltaram as práticas do judaísmo, então quer dizer que eles voltaram a antiga prática de sacrifícios de animais para perdão de pecados. Basta apenas nós avançarmos alguns capítulos no livro de Hebreus para sabermos que é impossível estes sacrifícios removerem os pecados.

 

“Dia após dia, todo sacerdote apresenta-se e exerce os seus deveres religiosos; repetidamente oferece os mesmos sacrifícios, que nunca podem remover os pecados. Mas, quando esse sacerdote [Jesus] acabou de oferecer, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à direita de Deus.”

(Hebreus 10.11-12)

 

Apenas o sacrifício de Cristo tem esse poder. E, já que tocamos nesse assunto, olhemos para o final do texto de Hebreus 6.6: “pois para si mesmos estão crucificando de novo o Filho de Deus, sujeitando-o à desonra pública”. Ao voltar a Lei e achar que os repetidos sacrifícios de animais podiam remover os pecados, eles estavam negando o que Jesus fez na cruz. Ele foi o único sacrifício pelos pecados e o Seu perdão dura para sempre. Hebreus 10 continua dizendo que:

 

“’[…] Dos seus pecados e iniquidades não me lembrarei mais’.

Onde esses pecados foram perdoados, não há mais necessidade de sacrifício por eles

(Hebreus 1-.17b-18)

 

Onde muitos erram ao ler Hebreu 6 é não entenderem que CRISTO JÁ NOS PERDOOU DE TODO PECADO. Ele fez isso na cruz de uma vez por todas. Portanto, você já foi conduzido ao único arrependimento possível e não há pecado que você possa cometer que te afaste do perdão de Deus. Logo, é impossível alguém perder a salvação por motivo de pecado. Viva consciente da plenitude do significado da Cruz e descanse na certeza de que você É perdoado. Este é um estado que jamais mudará na sua vida.

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MYTHBUSTERS (PARTE 4) – QUEM DEUS É?

Até agora nesta série descobrimos que, ao contrário do que muitos acreditam, nós não precisamos nos esforçar em cumprir uma lista de regras para sermos salvos, ou conseguirmos aceitação junto a Deus. Mas, existe outro mito muito comum dentro da igreja que diz que Deus nos castiga por causa das nossas ações pecaminosas.

Não quero me aprofundar neste assunto hoje – ele já foi brilhantemente esclarecido pelo meu amigo João Emílio no texto “A Repreensão do Senhor” – porque acredito que este mito, na verdade, é consequência de uma visão errada de quem Deus é. Sobre isso que iremos falar hoje.

 

“Portanto, já que estamos recebendo um Reino inabalável, sejamos agradecidos e, assim, adoremos a Deus de modo aceitável, com reverência e temor, pois o nosso ‘Deus é fogo consumidor!’

(Hebreus 12.28-29)

 

Este texto de Hebreus ficou muito famoso entre os cristãos pela expressão que traz no final: “Deus é fogo consumidor”. Esta expressão aparece pela primeira vez em Deuteronômio 4.23-24. Para entendermos o seu real significado, precisamos voltar rapidinho ao antigo testamento e ver em que contexto ela foi dita.

 

Tenham o cuidado de não esquecer a aliança que o Senhor, o seu Deus, fez com vocês; não façam para si ídolo algum com a forma de qualquer coisa que o Senhor, o seu Deus, proibiu. Pois o Senhor, o seu Deus, é Deus zeloso; é fogo consumidor.

(Deuteronômio 4.23-24)

 

O autor estava alertando o povo de Israel sobre o caráter consumidor de Deus para que eles fossem cuidadosos em não se esquecer a aliança que o Senhor fez com eles. Em outras palavras, a ameaça era a seguinte: pise fora da faixa, esqueça a aliança de Deus, e você vai conhecer um lado não muito agradável de Deus.

Ok. Agora que você já sabe o contexto em que esta expressão foi dita pela primeira vez, voltemos ao texto de Hebreus. É de se esperar que o autor mantenha o mesmo contexto, não acha? Caso contrário, ele estaria deturpando o sentido original do texto de Deuteronômio, algo inaceitável para um texto bíblico. Olhemos então o verso 28: “[…] sejamos agradecidos e, assim, adoremos a Deus de modo aceitável […]”.

Em uma leitura superficial, parece que o autor aos Hebreus está dizendo que uma adoração aceitável para Deus é aquela que vem de um adorador cheio de gratidão. E é aí que entra o julgo. “Você tem que fazer desse jeito! Se não fizer, nosso Deus, que é fogo consumidor, não vai te aceitar e vai te castigar”. Errado! Devemos sim ser gratos a Deus, não como condição para sermos aceitos, mas porque fomos aceitos.

O problema não é só este. Quando você olha este texto no original, descobre que não tem nada a ver com gratidão. Talvez uma tradução mais adequada seria: “Portanto, já que estamos recebendo um Reino inabalável, [echómen charin] possuímos Graça [di’ hés] por meio da qual adoremos a Deus de modo aceitável, com reverência e temor, pois o nosso ‘Deus é fogo consumidor!’”

Agora sim! O único modo de adorarmos a Deus de forma aceitável é pela Graça! Assim, como o texto de Deuteronômio, o texto de Hebreus não é sobre boas ações, mas sobre recordar a aliança de Deus. Ou seja, se você está posicionado sob a Graça, a nova aliança de Deus conosco, este alerta NÃO É PARA VOCÊ!

Então, se Deus não é fogo consumidor para nós que estamos sob a Sua graça, quem Deus é?

Deus é bom (Salmos 136.1), Deus é amor (1 João 4.8), Deus é a força do meu coração e a minha herança para sempre (Salmos 73.26), Deus é fiel (2 Timóteo 2.13), Deus é meu ajudador (Hebreus 13.6), Deus é a minha esperança (Provérbios 3.26).

Não há motivos para ter medo de quem Deus é. Ele é a nosso favor e a sua natureza é boa.

Mythbusters (parte 3) – Obras ou Fé?

O que fazer quando dois textos da Bíblia parecem se contradizer totalmente, quase como se um tivesse sido escrito para rebater o outro? Como interpretar isso? Será que um está certo e outro está errado? Como decidir qual? Devo pegar o que eu gosto mais ou que mais se aplica a mim de descartar o outro?

Perguntas como essa vem a mente quando nós nos deparamos com um par de textos como Efésios 2:8 e Tiago 2:24, é inevitável. O primeiro diz: “vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie.”, enquanto o outro diz “Vejam que uma pessoa é justificada por obras, e não apenas pela fé.”

É como se Tiago estivesse escrevendo para contrariar. Este claramente separa a justificação (o fato de estarmos em uma posição correta com Deus, em paz com Ele) das obras, associada somente a fé. Romanos 2:28 confirma a crença de Paulo dizendo que “o homem é justificado pela fé, independente da obediência à Lei”, mas Tiago parece dizer exatamente o oposto. Aparentemente Tiago está dizendo que uma pessoa é justificada pelas obras e não somente pela fé.

E aí, com quem você está? Paulo ou Tiago? Obras ou Fé? Eu não creio que haja uma escolha a fazer, porque na verdade os apóstolos não estão se contradizendo, mas se complementando. Eu creio que “toda a Escritura é inspirada por Deus e é proveitosa” para nós (2 Tm 3:16), portanto me recuso a ter que descartar algo que ela fala. Se algo não parece certo, talvez eu precise ajustar a forma como enxergo algum desses versículos.

Para isso, vamos continuar analisando o que cada um dos apóstolos está dizendo. Os dois usam um mesmo exemplo para comprovar sua tese e é esse exemplo que nós vamos analisar para chegar a nossa conclusão: Abraão. Porque? Porque a Bíblia traz Abrãao como o exemplo de alguém que foi justificado por Deus, o padrão para nós hoje. Abrãao é o começo da Aliança que Deus faz com homem. Exatamente por isso ele é chamado de “pai da fé”. Nós seremos justificados na mesma base que Abrãao.

Paulo diz em Romanos 4:2,3:

“Se de fato Abraão foi justificado pelas obras, ele tem do que se gloriar, mas não diante de Deus. Que diz a Escritura? ‘Abraão creu em Deus, e isso lhe foi creditado como justiça’.”

Tiago diz em Tiago 2:21 e 23:

“Não foi Abraão, nosso antepassado, justificado por obras, quando ofereceu seu filho Isaque sobre o altar? (…) Cumpriu-se assim a Escritura que diz: ‘Abraão creu em Deus, e isso lhe foi creditado como justiça’, e ele foi chamado amigo de Deus.”

Não parece que ajudou muito, não é? Calma, vamos adiante. A chave para entender essa questão está na frase: “mas não diante de Deus”. Paulo e Tiago estão falando de justificação sob duas perspectivas diferentes. O primeiro está falando sobre a justificação diante de Deus e o segundo, sob justificação diante dos homens. Paulo está falando o critério para que você se torne justo, Tiago fala o que demonstra que você é justo. Deus não vê as suas obras, Ele vê a sua fé. Mas os homens não conseguem vê a sua fé a não ser pelas suas obras. Quer confirmar isso? Dê uma olhada no contexto de Tiago 2 e você vai perceber que o capítulo inteiro está falando sobre a nossa relação uns com os outros. O que Tiago está falando é: “você quer saber se alguém é justo? Olhe para as obras dele, porque um justo fatalmente praticará a justiça”.

E esse é exatamente o caso de Abrãao: ele creu em Deus e isso foi suficiente para ele se tornar justo, mas essa fé produziu nele uma obra condizente. Quando Deus pediu o seu único filho, Abrãao creu que Deus era poderoso para até trazê-lo dos mortos e essa fé o levou a entregar Isaque. ( Confira Hb 11:17-19). Agora, se eu estivesse naquela época assistindo a história de Abrãao, como eu poderia dizer que Ele creu em Deus? Eu não tenho acesso ao coração dele, portanto eu só poderia dizer isso porque eu vi nele uma ação condizente com sua fé.

É por isso que Tiago diz: Vejam que uma pessoa é justificada pelas obras”. Ou, nas palavras de Jesus, conheçam as árvores pelos frutos que elas dão (Mt 7.16,20). Um justo, apresentará frutos de justiça. Mas não se engane, ele não é justo por que dá frutos, mas dá frutos porque é justo.

Propositadamente eu pulei o versículo 22 do capítulo 2 de Tiago, para podermos pensar um pouco mais. Agora poderemos entendê-lo bem melhor:

 “Você pode ver que tanto a fé como as suas obras estavam atuando juntas, e a fé foi aperfeiçoada pelas obras.” (Tiago 2:22)

O original desse texto diz basicamente o seguinte: “A fé estava produzindo as obras e a as obras estavam consumando a fé”. No original grego, essa palavra aperfeiçoada tem o mesmo significado que a palavra que Jesus gritou quando disse: “Está consumado!”. Está completo. Ou seja, a sua fé te capacita a produzir as obras, que por sua vez completam, confirmam, consumam aquilo que você crê.

E no que você precisa crer? Você precisa crer no critério que Paulo estabelece: que você é justificado não por causa das suas obras, mas por causa da Obra consumada de Jesus. E tenha certeza, isso vai produzir em você as obras condizentes com essa crença. Se você crê que é justo, você vai andar como tal.

Para fechar eu quero te dar mais um versículo, que eu também guardei até agora, para confirmar que Paulo e Tiago estavam em plena concordância. Depois de dizer em Efésios 2:8,9 que nós somos salvos, justificados pela graça, independente das obras, Paulo faz a seguinte afirmação:

 “Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos.” (Efésios 2:10)

Ou seja, você não é salvo por obras, você é salvo para obras. As obras não são a causa da sua salvação e justificação, mas elas são o fruto disso. E isso não é algo que você precisa produzir pela força. É algo que é produzido pela fé na Obra de Cristo. Essa é a única forma pela qual o mundo poderá ver a justiça de Deus brilhando como a luz do sol através da sua vida para que eles sejam atraídos a Jesus e se rendam a Ele.

Mythbusters (parte 2) – O Reino é Conquistado por Esforço?

Se você nos acompanha há algum tempo, já deve ter percebido que, volta e meia, nós abordamos em nossos posts o tema “descanso”. Desde os primeiros posts temos chamado a sua atenção para a importância de descansar em Deus e na obra que Ele completou na cruz, por meio da morte e ressurreição de Cristo.

De fato, é impossível separar a Graça do descanso. A Graça é o descanso. Deixa eu te explicar melhor. A Bíblia começa a fazer referência ao descanso desde o início. Em Gênesis, Deus criou a terra em seis dias e no sétimo Ele descansou das suas obras, porque tudo estava completo. Isso é um retrato do que iria acontecer conosco milênios depois, quando Jesus veio para viver uma vida perfeita, impecável e morrer na cruz pelo preço dos nossos pecados (diga-se de passagem: isso aconteceu exatamente numa sexta-feira, o sexto dia da semana). Ali na cruz Ele clamou: “Está consumado!”, declarando que tudo o que precisava ser feito para que eu e você fossemos ligados novamente a Deus tinha sido feito. E assim como Deus descansou no início do mundo, nós devemos descansar em Cristo, assentado com Ele em lugares celestiais, porque tudo já foi consumado. Hebreus 4:10 diz que “aquele que entrou no descanso descansa das suas obras, como Deus das suas”.

Nossas obras não definem mais o nosso relacionamento com Deus. Não precisamos trabalhar, nos esforçar para cumprir regras que nos mantenham justos diante de Deus, ou para apaziguar a sua ira, porque Jesus já completou isso. Nosso papel é crer no que Ele fez. Em outras palavras, nós estamos vivendo continuamente no sétimo dia, no dia do descanso. De fato, Jesus é o nosso descanso, o nosso Sábado. É por isso que a Lei mais importante do antigo testamento e a que tinha punição mais severa era guardar o Sábado, porque este é um símbolo do descanso na obra completa de Cristo. Essa é a nossa base para sermos abençoados, aceitos, justificados diante de Deus.

Aqui entra um dos versículos mais mal interpretados da Bíblia e que é a causa de muitas pessoas estarem vivendo sob uma falsa perspectiva. Elas usam esse versículo para refutar tudo isso o que eu estabeleci com você e afirmam, com as palavras do próprio senhor Jesus, que na verdade a vida com Deus é um esforço e não um descanso. Esse versículo é Mateus 11:12:

“Desde os dias de João Batista até agora, o Reino dos céus é tomado à força, e os que usam de força se apoderam dele.” (Mateus 11:12)

Há muito tempo as pessoas usam esse texto fora do seu contexto para dizer: “Tá vendo? Você precisa se esforçar, sim. O Reino de Deus é conquistado por esforço e os que usam de força é que se apoderam dele. Não tem essa de descansar. Arregace as mangas e comece a trabalhar para poder receber qualquer coisa que você quiser de Deus.” E lá vamos nós, voltando para um sistema de meritocracia, de “faça-bem-receba-bem, faça-mal-receba-mal”, exatamente o oposto da vida que Deus tem para nós.
Então, o que será que esse versículo realmente diz? Como podemos entendê-lo sob a lente da Graça? Para isso, vamos primeiramente entender o contexto.

Jesus está falando sobre João Batista. Ele diz que “desde os dias de João Batista até agora” o Reino tem sido tomado a força. Perceba que Jesus se refere a dois tempos nessa frase. Há “os dias de João Batista” e “agora”. Qual é a diferença entre esses tempos? Vamos ler o versículo seguinte para entendermos:

“Pois todos os Profetas e a Lei profetizaram até João.” (Mateus 11:13)

João foi o último profeta da Lei, o último que veio antes de Jesus, portanto ele ainda vivia em um sistema baseado no esforço humano. O foco da Lei é o que o homem deve fazer para alcançar a Deus. Nesse sistema, se você obedecer todos os mandamentos de Deus, você tem acesso a Ele, caso contrário, você é alvo da culpa e da maldição.

Mas Jesus veio estabelecer uma nova forma de se relacionar com Deus, uma nova forma de entrar no Reino. Não pela força, mas pela fé. Continue lendo o capítulo e você encontrará a famosa passagem de Mateus 11:28, que inclusive dá origem ao nome do nosso blog:

“Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. (Mt 11:28-30)

Como pode Jesus no mesmo capítulo falar que o Reino é alcançado por esforço e logo em seguida dizer que ele vem nos oferecer descanso? Claramente ele está dizendo outra coisa. Analise para quem ele está falando isso, um grupo de pessoas acostumadas a se relacionar com Deus na base do esforço próprio e você vai entender que Ele está repreendendo as pessoas por fazerem isso. Ele está dizendo: “até agora vocês tentaram alcançar o Reino pela sua própria força, mas chegou um novo tempo, em que vocês podem ter descanso em mim e naquilo que eu fiz por vocês.”

Por último, a Bíblia fala realmente de um esforço, o qual quase ninguém se lembra de realizar. Ele está descrito claramente em Hebreus 4:11.

“Portanto, esforcemo-nos para entrar no descanso…” (Hebreus 4:11)

Esse é o nosso esforço. É isso que devemos lutar para fazer: descansar em quem Deus é, no que Ele fez por nós e no fato de que a obra foi completa lá na cruz. Essa é a única forma de entrar no Reino, recebendo pela Graça aquilo que Jesus conquistou por nós.

Mythbusters – Parte 1

Vamos combinar um coisa desde já: a Bíblia não é o livro mais fácil de se ler. Existe uma série de variáveis que você tem que estar atento ao ler uma das histórias registradas neste livro: qual a cultura da época? Onde a história se passa? Quais as características geográficas deste lugar? Quem era o rei? Quem era o sacerdote? Qual  o significado dos nomes? Como está escrito na língua original? Quem matou Lineu? E por aí vai. Para cada trecho, uma lista de perguntas diferente. Vejamos um exemplo prático. Olhe o texto a seguir:

 

“Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber.Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele, e o Senhor recompensará você.”

(Provérbios 25.21-22)

 

Muitos interpretam esta passagem dizendo que “amontoar brasas vivas sobre a cabeça da alguém” significa deixar seu inimigo “encucado” com a sua boa ação. É como se ele ficasse remoendo mentalmente o seu gesto de bondade e, com isso, se arrependesse do que já lhe tenha feito.

Resposta errada. O problema aqui é ignorar os costumes da época. Lembre-se que nos tempos de Salomão não havia fogão 6 bocas, microondas, fósforo, aquecedor, etc. Com isso, o fogo era um recurso essencial para a vida. Sem fogo não há como cozinhar a comida ou se aquecer durante o inverno. Por este motivo, era comum que as pessoas compartilhassem brasas vivas – ou seja, que ainda não se tornaram cinzas – a fim de que o outro pudesse levar de volta para sua casa, em potes que eram equilibrados na cabeça, e acender a sua própria fogueira. Portanto, o que o texto diz é: faça o que puder para que seu inimigo permaneça vivo. Só. Em hora nenhuma ele dá esperanças de que esse inimigo irá reconhecer seu esforço e/ou retribuí-lo.

“Ok, ok. Mas pra que tudo isso? Eu não quero ser pastor(a). Estou apenas lendo a Palavra de Deus (sotaque crentês)”. Bom, é simples. A Bíblia é muito mais que um guia de vida que te ensina como se comportar nessa Terra: “Faça assim. Não aja dessa maneira. Pratique isso”. A Bíblia é um guia de fé. Ela, acima de tudo, nos ensina o que crer. E quando nós cremos corretamente, o Espirito Santo tem liberdade para nos guiar a um viver correto.

Veja 2 Coríntios 10.5, por exemplo: “Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo”. Este texto retrata exatamente o que eu quero falar. Da forma como ele se apresenta ali, parece que a Bíblia é apenas um guia comportamental. “Leve esse pensamento cativo e aja como alguém que é obediente a Cristo!”.

Errado. Mas dessa vez eu vou dar um desconto. O erro aqui está na língua portuguesa. Ou melhor, na tradução do original para o português. A tradução que melhor se encaixa com o original é:

 

Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus e levamos cativo todo pensamento à obediência de Cristo

 

Percebe que o dono da obediência mudou? Não sou mais eu quem ajo obedientemente, mas agora Cristo é aquele que agiu em obediência. Levar os pensamentos cativos à obediência d’Ele é crer na obra que Ele realizou na Cruz: Ele nos salvou, perdoou, remiu, redimiu, justificou, adotou como filhos e muito mais. E, então, a Bíblia se torna um guia de fé.

Interpretações erradas de versículos como este de 2 Coríntios 10.5 são, infelizmente, muito comuns entre nós. Durante esta série iremos analisar muitos destes casos e quebrar alguns mitos antológicos criados dentro da igreja. Então, se prepare! Tenho certeza absoluta que você nunca mais lerá a Bíblia com os mesmos olhos depois desta série. E mais certeza ainda que você não será mais o mesmo(a) depois de descobrir aquilo que a Palavra de Deus realmente quer te ensinar.

Embrulhado para presente – Parte 2

Além da troca dos presentes, uma coisa não pode faltar na noite de Natal: os convidados. Natal sem reunião de família e amigos não é Natal. A gente sempre quer passar essa data com as pessoas com as quais nos importamos.

Pois bem. Quais foram então, as pessoas que Deus convidou para a primeira noite de Natal? Você ficaria surpreso em saber que não foi ninguém famoso ou considerado importante. Sem nenhum motivo aparente, assim que Maria dá a luz ao nosso presentinho, um anjo vai chamar um grupo de pastores para receber este presente em nome de toda a humanidade. Faz parte da tradição de Natal. Deus preparou e embrulhou o presente. Alguém tinha que recebê-lo. Mas eu me pergunto o porquê de Deus ter escolhido logo os pastores. A resposta está escondida na mensagem que o anjo dá aos pastores:

 

“Hoje, na cidade de Davi, nasceu o Salvador, que é Cristo , o Senhor. Isto servirá de sinal para vocês: encontrarão o bebê envolto em panos e deitado numa manjedoura.”

(Lucas 2:12)

 

Perceba que os anjos não dão uma direção sequer de onde Jesus havia nascido. E mesmo assim os pastores souberam exatamente para onde ir. Porque? Porque o sinal dado pelos anjos era suficiente para eles. Eles sabiam da profecia do Messias e da tradição do cordeiro do sacrifício, embrulhado em um pano em Midgal Eder. E por estarem conscientes disso, eles receberam a revelação de Deus sobre o nascimento de Jesus. Quando você coloca a sua mente em Jesus, e está consciente do sacrifício dele, você está se posicionando para receber mais revelação da parte de Deus com relação a quem Ele é e o que Ele fez por você. Quando você foca em Jesus, Ele se revela a você cada vez mais.

 

“Depois de o verem, contaram a todos o que lhes fora dito a respeito daquele menino, e todos os que ouviram o que os pastores diziam ficaram admirados.”

(Lucas 2.17-18)

 

Os pastores ficaram tão satisfeitos com o presente que foram contar para o mundo o que lhes fora DITO sobre Jesus. Repare que eles não contaram o que tinham VISTO – um bebezinho dependente e impotente – mas, sim, o que OUVIRAM. Bom, então o que eles ouviram de tão impressionante?

 

“Mas o anjo lhes disse: “Não tenham medo. Estou trazendo boas-novas de grande alegria para vocês, que são para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, nasceu o Salvador, que é Cristo , o Senhor. Isto servirá de sinal para vocês: encontrarão o bebê envolto em panos e deitado numa manjedoura”. De repente, uma grande multidão do exército celestial apareceu com o anjo, louvando a Deus e dizendo: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor”

(Lucas 2.10-14)

 

Aqui é a primeira vez que aparece a expressão “boas novas” no novo testamento. É a primeira vez que o Evangelho é proclamado. E o anjo já começa dizendo para eles não terem medo. O Evangelho nos aproxima de Deus e nos dá liberdade com Ele, não nos amedronta. A segunda coisa que o Evangelho nos traz é “grande alegria”. Não há como separar a mensagem de Cristo da alegria que ela traz consigo. Nós recebemos o melhor presente da história! Não há outra opção a não ser nos alegrarmos.

Mas qual era a mensagem dos anjos? Qual era a boa notícia que traria grande alegria? Analisando a mensagem dos anjos, percebemos que ela consiste basicamente em duas coisas: Jesus é o Salvador e Ele trouxe com ele a paz e o favor de Deus aos homens. Nada mais, nada menos do que isso

Essa foi a mensagem que os pastores saíram proclamando: Nasceu o Salvador e Ele veio para nos trazer a paz e o Favor de Deus. Resultado: os ouvintes ficaram maravilhados com o que ouviram. Esse é o resultado da pregação do Evangelho genuíno. E essa é a nossa mensagem.

Você também foi convidado para essa festa de Natal. A esse ponto eu presumo que você já tenha aberto o presente e tenha se maravilhado com Ele. Mas agora, é hora de fazer o que os pastores fizeram: compartilhar com o máximo de pessoas que você puder. Afinal, o presente também é para elas. Não por regra, mas porque quando você percebe que recebeu algo tão maravilhoso, você não consegue se conter e esconder isso só para si mesmo. Como os pastores, você quer sair por todo lado anunciando sua descoberta, convidando as pessoas para participarem dessa festa e abrirem por si mesmas esse lindo presente. E nesse caminho você tem o privilégio de presenciar vidas sendo transformadas e de experimentar a alegria que é ver Deus agindo através de você para expandir o Reino do seu Filho.

Embrulhado para presente – Parte 1

Sejamos sinceros, Natal sem presentes não tem a mesma graça. Sabemos que trocar presentes não é o propósito do Natal, mas o dono desta excelente ideia merecia um prêmio. Há uma mudança no ambiente quando começa a troca de presentes. Quem recebe fica animado, curioso em saber o que está escondido sob o embrulho. Quem dá, ansioso por ver a reação de satisfação quando o embrulho se vai.

 

“Isto servirá de sinal para vocês: encontrarão o bebê envolto em panos e deitado numa manjedoura”

(Lucas 2.12)

 

Quando leio este trecho da história do Natal, uma cena pula na minha cabeça: Deus embrulhando Jesus como um presente, e enviando-o ao planeta Terra para nos buscar. Em várias passagens a Bíblia nos diz que a salvação é um presente de Deus para os homens, como o clássico Efésios 2:8, Romanos 6:23, Romanos 5:17 e outros. Em João 4:10, Jesus refere-se a si mesmo como o “dom de Deus”, ou o presente de Deus para os homens. Jesus é o nosso presente. Nosso maior presente.

Mas o embrulho que Deus escolheu para o nosso presente é bem intrigante. Ele resolveu embrulhá-lo em panos e colocá-lo cuidadosamente em uma manjedoura. Verdade seja dita: ninguém presta atenção na embalagem quando recebe um presente. Todo mundo quer abrir logo, até rasgamos o embrulho se ele estiver no caminho entre nós e a revelação do nosso presente. Mas se eu te disser que o embrulho do primeiro presente de Natal é extremamente importante, você acreditaria? Os panos e a manjedoura nos revelam algo tremendo. Algo que já apontava para o que aquele bebê viria a completar trinta e três anos mais tarde, em nosso favor.

Para isso, precisamos, primeiro, entender a profecia de Miquéias 4.8.

 

“Quanto a você, ó torre do rebanho,

ó fortaleza da cidade de Sião,

o antigo domínio será restaurado a você;

a realeza voltará para a cidade de Jerusalém.”

(Miquéias 4.8)

Percebemos que esta profecia diz respeito a um lugar chamado “torre do rebanho”. O nome hebraico que é traduzido como “torre do rebanho” neste verso é Migdal Eder, um monumento que marcava o lugar onde Jacó sepultou sua esposa Raquel (Gn 35.20-21).

Sabendo isso, precisamos agora entender um pouco sobre uma tradição judaica a respeito do cordeiro do sacrifício. Deus deu instruções bem detalhadas e exigentes para Moisés a respeito deste animal . Ele deveria ser perfeito; não poderia ter uma mancha em sua pelagem, nenhum defeito, nenhum machucado, nada. A questão então era: como garantir que o filhote, que ainda está aprendendo a andar, não leve um tombo e se machuque?

Para resolver este problema, criou-se uma tradição que era praticada pelos pastores judeus em Migdal Eder. Para evitar que o animal sofresse qualquer tipo machucado, o pastor, assim que o filhote nascia, o tomava de sua mãe, o envolvia em um pano e o colocava dentro de uma manjedoura.

Esse é exatamente o processo que acontece no nascimento de Jesus. Cumprindo a profecia, Jesus nasceu em Midgal Eder, envolto da mesma forma como o cordeiro do sacrifício. Isso já apontava para o que aquele menino viera fazer: ele era o Cordeiro perfeito que seria oferecido como sacrifício por toda a humanidade, Ele é o “cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29).

Além disso, manjedouras naquela época eram basicamente um bloco maçiço de pedra que teve o seu interior escavado. (Veja um exemplo de uma manjedoura aqui). Com isso em mente, visualize essa cena de novo: Jesus, envolto em panos, colocado em um buraco numa pedra. Isso te lembra de algum outro episódio? Deixe eu te dar uma dica:

 

“E José, tomando o corpo, envolveu-o num fino e limpo lençol,E o pôs no seu sepulcro novo, que havia aberto em rocha, e, rodando uma grande pedra para a porta do sepulcro, retirou-se.”

(Mt 27:59,60)

Comparando as duas cenas você vai perceber que elas são extremamente relacionadas. O nascimento de Jesus já apontava para a sua morte. O embrulho do nosso presentinho nos revela que propósito da vida daquele bebê era morrer em nosso lugar para que hoje nós tivéssemos vida!

Portanto, cabe a nós apenas o privilégio de abrir este presente. Não nos cabe conquista-lo. É um presente. Nos foi dado de graça. Tudo o que temos que fazer é aceitar com alegria a plenitude do que Jesus veio fazer aqui. O presente está aqui e ele é seu. Então abra logo! O que está esperando?

O Clube das 5 (Final) – Maria

Enfim chegamos ao final da nossa série! Nos cinco textos anteriores, podemos conhecer a fundo a história de Tamar, Raabe, Rute e Bate-Seba. Quanta coisa boa! Mergulhamos nos segredos mais profundos de cada passagem e nos maravilhamos ao descobrir, em todas elas, tipos e símbolos da obra redentora de Jesus Cristo. Agora, chegamos à última integrante desse time: Maria.

Talvez seja complicado falar sobre ela depois de ver esse quarteto fantástico na passarela. Maria é como se fosse o patinho feio desse time. Ou melhor, o patinho bonito. Você se lembra das histórias que contamos aqui? Tamar se fingiu de prostituta para ter relações com seu sogro. Raabe era prostituta por profissão e pior, não fazia parte do povo judeu. Aliás, falando nisso, temos Rute, a moabita. Tudo bem, moabita para nós hoje não soa grandes coisas, mas, acredite em mim, Moabe era o lado negro da força. Por fim, Bate-Seba e seu agradável banho ao ar livre protagonizaram o pior caso de adultério da história.

Então, eu te pergunto: que passado sórdido esconde nossa querida Maria?

Nenhum. Na verdade, olhe comigo o texto de Lucas 1.26-28. Dentre os quatro evangelhos, este é o que nos dá mais detalhes sobre a vida de Maria.

“No sexto mês Deus enviou o anjo Gabriel a Nazaré, cidade da Galileia, a uma virgem prometida em casamento a certo homem chamado José, descendente de Davi. O nome da virgem era Maria. O anjo, aproximando-se dela, disse: ‘Alegre-se, agraciada! O Senhor está com você!’”

(Lucas 1.26-28)

Percebe? Não temos muita informação sobre seu passado. Tudo que sabemos é que, por algum motivo, seja ele qual for, ela achou graça aos olhos de Deus.

Na verdade, acho até um pouco irônico a Bíblia ocultar os detalhes da vida daquela que daria luz ao nosso Salvador. Parece segredo. Ou, quem sabe, irrelevante. Afinal, absolutamente nada que Maria fizesse ou deixasse de fazer seria suficiente para torná-la digna de receber tal responsabilidade. Certamente, não foi o que ela fez durante a sua infância que chamou a atenção de Deus. Maria achou graça aos olhos de Deus porque ela cria na Sua palavra.

“Respondeu Maria: “Sou serva do Senhor; que aconteça comigo conforme a tua palavra”. Então o anjo a deixou.”

(Lucas 1.38)

Tudo bem, mas que relação isso tem com o sacrifício de Cristo? É simples, Maria representa os cristãos da Nova Aliança. O fato de não sabermos muito a respeito de seu passado é uma ilustração do que está escrito em Hebreus 8:12.

“Porque eu lhes perdoarei a maldade e não me lembrarei mais dos seus pecados”.

(Hebreus 8.12)

Ou seja, o que quer que você tenha feito durante a sua vida foi lançado no mar do esquecimento no dia em que o nosso Senhor Jesus Cristo se entregou na cruz. Não tem passado capaz de te afastar da graça de Deus. Uma vez que o sangue do Cordeiro está sobre você, Deus te chama por AGRACIADO(A). Basta apenas crer na Palavra.

Inclusive, ao passo que as quatro personagens anteriores são conhecidas por prostitutas, moabitas ou adúlteras, a quinta integrante do grupo, Maria, é conhecida como agraciada. E sabe o que mais? Na simbologia bíblica, cinco é o número da graça! Nada que está escrito na Bíblia é coincidência, tudo tem seu propósito. A quinta integrante do time representa a geração da GRAÇA.

Que bela maneira de encerrar uma série, não concorda? Se você se identificou com as quatro primeiras integrantes, no sentido que, assim como elas, você tinha uma vida separada da vontade de Deus, mas foi alvo da Sua misericórdia, eu quero te fazer uma proposta. Mude a maneira como você se vê. Esse é o segredo escondido na genealogia de Jesus. Lembre disso: os tempos mudaram, as alianças mudaram. Você vive pela graça. Seu passado… que passado? Não lembro mais.

O clube das 5 (parte 5) – Bate-Seba

Chegou o momento de conhecermos a quarta integrante do Clube das 5: Bate-Seba. Sua história se encontra nos capítulos 11 e 12 de 2 Samuel. Para resumir, a história aconteceu mais ou menos assim:

Israel estava em guerra contra os Amonitas. Na época em que os reis saíam para a guerra, Davi ficou em casa de bobeira e mandou o seu exército batalhar. Um belo dia, enquanto o rei passeava pelo terraço, ele viu uma mulher tomando banho em plena luz do dia, ficou gamado nela e mandou trazê-la para seu palácio. Bem, a partir daí você pode imaginar o que aconteceu… Alguns meses depois, essa mulher, cujo nome era Bate-Seba, mandou dizer ao rei que estava grávida. Davi, então, logo armou um plano para resolver essa situação. O marido de Bate estava na guerra (onde Davi deveria estar, diga-se de passagem), então o rei mandou armar uma forma de deixá-lo desprotegido na frente de batalha para que ele morresse. O plano foi bem sucedido, Davi foi o responsável pela morte de Urias, marido de Bate-Seba, e a recebeu em sua casa como uma de suas esposas.

No capítulo 12, o profeta Natã chega até Davi e conta a história de um cara que tinha várias cordeirinhas, mas que rouba a cordeirinha de outro que tinha uma só. Davi fica bolado e fala; “Que absurdo! Esse cara tem que morrer!”, mas Natã lhe diz: “Esse cara é você”. Silêncio constrangedor. Davi olha para Natã. Clima tenso. Todos esperam que o rei libere uma sentença contrária ao profeta, porém não é isso o que acontece. Davi logo se arrepende e reconhece o seu erro.

Acontece que, em uma antiga aliança baseada na Lei, a qual vigorava naquela época, Deus tinha que mandar juízo sobre Davi. Alguém precisava pagar o preço. Por isso, o profeta declara que Davi não morreria, pois o pecado dele havia sido traspassado (v. 13), mas seu filho com Bate-Seba não sobreviveria. E foi exatamente isso que aconteceu: a criança nasceu, foi ferida de uma doença grave (v. 15) e depois de sete dias, morreu. Depois disso, Davi e Bate-Seba, no melhor estilo bíblico, “coabitaram” novamente e tiveram outro filho, chamado Salomão, e a Bíblia diz que “Deus o amou”.

Essa história, assim como todas na Bíblia, é um retrato de Jesus. Se nós olharmos para ela apenas com olhos naturais, veremos apenas uma história de um pecado sujo, seguido de uma punição severa contra uma criança que não tinha nada a ver com o erro do pai. Mas não devemos olhar com essa perspectiva, e sim com a lente da nova aliança, buscando sempre enxergar Cristo.

Pois bem, vamos falar sobre o primeiro filho. Ele não tinha nada a ver com o pecado de Davi, mas mesmo assim ele estava sendo julgado por ele. Ele colheu os resultados do pecado do seu ancestral. Ele foi o filho da desobediência de Davi e por isso colheu morte. Assim também, nós, por causa da desobediência de Adão, nos tornamos pecadores e colhemos a morte como resultado. Romanos 3:23 diz que “todos pecaram” e Romanos 6:23 diz que “o salário do pecado é a morte”. Além disso, Romanos 5:19 diz que pela desobediência de um só homem, Adão, nós nos tornamos pecadores. Efésios 2:2 cita um conjunto de pessoas chamado de “filhos da desobediência”. Quem são esses? São as pessoas que continuam sob a desobediência de Adão, que não aceitaram o dom da justificação em Cristo. Contudo, da mesma maneira, esse versículo de Romanos 5:19 diz, também, quenos tornamos justos não pela nossa obediência, mas pela obediência de um só homem: Jesus.

Agora, veja isso na vida de Salomão: ele foi o filho da obediência, e o que ele colheu? Amor. Deus o amou antes mesmo dele fazer qualquer coisa. Entenda, da mesma forma que você e eu nos tornamos pecadores por causa de Adão, nos tornamos justos por causa de Cristo, não por causa das nossas obras, mas pela fé n’Ele. É uma questão de natureza, de nascimento: se nascemos sob a desobediência de Adão ou se nascemos de novo, sob a obediência de Cristo.

Ainda, repare no seguinte: Deus diz a Davi que ele não morreria, pois o pecado dele havia sido traspassado. Mas, no lugar de Davi, o filho receberia a punição e seria ferido. Profeticamente isso aponta para Jesus. Essa primeira criança também simboliza o nosso redentor, que se tornou pecado por nós para que nós fôssemos feitos justos. (2 Co 5:21) Ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades, o castigo que nos traz a paz (curiosamente o nome Salomão significa “paz”) estava sobre Ele. (Is 53:5). Hoje, nós nos tornamos Salomão, filhos da paz, filhos da obediência, porque Ele se tornou aquele primeiro filho, o filho da desobediência, da ira e do juízo. Ele levou sobre si o nosso pecado, o nosso juízo para que hoje nós tivéssemos paz com Deus e fôssemos amados por Ele.

E não para por aí! A Bíblia continua dizendo que Deus mandou o profeta Natã dar um segundo nome a Salomão: Jedidias, que significa literalmente “favorito de Deus, predileto de Deus, amado de Deus”. Ou seja, Jesus sofreu a nossa morte e a nossa punição para que hoje nós fôssemos favorecidos por Deus. Você é o favorito de Deus. Deus te ama! Você é a menina dos olhos d’Ele! Ele é louco por você! Ele é apaixonado por você! Isso por causa da obra perfeita do filho d’Ele lá na Cruz do Calvário. Houve uma troca na Cruz. Jesus se tornou o filho da desobediência, do pecado, da ira, para que você se tornasse Jedidias: o favorito de Deus.

Que hoje, ao olhar para essa história, você possa ver a beleza de Jesus e a dimensão do Amor d’Ele por você. Ele escolheu tomar o seu lugar e receber o que era destinado a você para que você assumisse o Seu lugar e recebesse de Graça tudo aquilo que Ele fez por merecer. Esse é Jesus! Ele te ama. Aceite isso e viva tudo o que Ele conquistou para você.

O Clube das 5 (Parte 4) – Rute

E mais uma vez, após um longo e tenebroso inverno, a espera chega ao fim! Apresentamos-vos agora a tão aguardada parte 4, e se Deus quiser (e Ele há de querer), logo em seguida também apresentaremos a 5, da renomada série sobre os Segredos na Genealogia de Jesus.

Então, indo direto ao ponto, trago hoje para vocês a história de Rute, a moabita, cujo nome vem do hebraico e significa “Bela Companheira”, sendo o reflexo do poder resgatador e redentor que há no nome e na vida de Jesus; além do fato de ser a bisavó de Davi, esse mesmo que você está pensando, o Rei.

Bom, para otimizar o nosso tempo, não me aterei em contar toda a história de Rute, em seus mínimos detalhes, pois se você ainda não a conhece, há um livro na Bíblia, nomeado Rute, que faz isso muito melhor do que eu. Você pode, e deve, conferir com seus próprios olhos aqui, pois tal livro conta uma das mais belas histórias já vistas na Bíblia.

Tendo esclarecido tudo isso, vamos ao que interessa:

A história de Rute, a terceira mulher a aparecer na genealogia de Jesus, representa nada mais, nada menos que a completa redenção que Deus, através de Jesus, conquistou por nós pela sua graça – favor indubitavelmente imerecido. A começar pela definição que a Bíblia faz questão de se referir a Rute sempre que seu nome é citado. Assim como nós éramos lembrados a todo o momento que Raabe era uma prostituta, a Bíblia faz questão de nos lembrar também que Rute era uma moabita, isto é, originária da cidade de Moabe, uma cidade amaldiçoada por Deus à destruição (Is 15; Jr 9:26) e que tinha como pai o filho da união incestuosa de Ló com sua filha mais velha (Gn 19:26). Há casos na Bíblia em que os moabitas eram proibidos até mesmo de entrarem na assembleia do Senhor. Ou seja, por origem, de cara, Rute já era uma pessoa renegada e que aos olhos naturais nunca iria ser favorecida por Deus, simplesmente por ser uma moabita. Contudo, Deus, mais uma vez, confunde a lógica e pensamento humano, mostrando que não há origem, maldição natural, ou qualquer coisa do tipo, que impeça a Sua graça, o Seu favor imerecido, de agir na vida de quem Ele ama. E nesse momento, eu não me refiro a Rute, somente, mas sim, a você também. Não importa a sua origem, de onde você veio, quem você é, ou o que dizem sobre você, se você está debaixo do amor e da graça de Deus, esse favor imerecido também irá te alcançar, ou melhor já está te alcançando, e você poderá desfrutar de todas as bênçãos que o Pai tem reservadas para você hoje! Aleluia!

Ainda, dando prosseguimento à nossa análise, perceba que a vida de Rute tem um caráter duplo: ela ao mesmo tempo em que representa Jesus, o redentor que veio tirar a humanidade da maldição do pecado e da lei, também representa a Igreja, a noiva, a “bela companheira”! Pois, ela resgatou a sua sogra da amargura que a afligia, ao mesmo tempo em que foi também resgatada por Boaz, no melhor estilo da graça de Deus: de graça, do nada, simplesmente por ele olhar para ela!

Mas vamos por partes: primeiramente, entenda que Rute está para Noemi, sua sogra, assim como Jesus está para nós. O nome Noemi, do hebraico, significa amável, agradável, e em dado momento da história, ela diz às suas conterrâneas, ao voltar a Belém, sua terra natal, que não a chamassem mais de Noemi, mas sim de Mara, que do hebraico significa amargosa, pois sobre ela o Senhor mandou grande amargura, tendo em vista a perda de seu marido e seus dois filhos (Rt 1:20). O que ela não sabia era que Deus naquele momento não estava trazendo sobre ela uma grande amargura e mudando seu nome para Mara, mas sim ratificando o seu nome Noemi, pois sobre ela recaiu o grande amor do Pai, através da vida de Rute, que teve a oportunidade de largá-la no meio do caminho de volta para Belém, mas não o fez, dizendo que nunca iria abandoná-la, mas iria acompanhá-la aonde quer que ela fosse, e que seu povo era povo dela (Rt 1:16). E é isso que Deus está te falando hoje: Ele nunca irá te abandonar, irá te acompanhar para sempre aonde quer que você vá. Simplesmente porque Ele te ama; e, digo mais, você pode não se chamar Noemi, mas você é uma pessoa extremamente amável aos olhos do Pai; nós somos! E perceba, Deus estava trazendo Noemi (nós) de volta para Belém, que do hebraico significa Casa do Pão, ou seja, a representação da provisão divina; Deus estava trazendo Noemi para a terra onde Jesus nasceu, junto com Rute, para que nesta se manifestasse a natureza redentora de Jesus e representasse para a sua sogra tudo o que Ele, hoje, representa para nós: salvação, provisão, cura, libertação, redenção, alegria, paz, mansidão, VIDA! Aleluia!! E o que aconteceu com Noemi desde o instante em que ela pisou em Belém? Exatamente isso: provisão, abundância, prosperidade, redenção… (Rt 2:18-19; Rt 3:17; Rt 4:14-16). Tudo através da vida redentora de Rute (porque foi resgatada também, mas que serviu, antes de tudo, para resgatar sua sogra), da mesma forma que aconteceu conosco através da obra redentora finalizada de Jesus na Cruz do Calvário!

E analisando, agora, o caráter de Rute como a Igreja, a noiva de Cristo, resgatada por Ele na cruz, podemos perceber o quanto Deus é amoroso e gracioso conosco; da mesma maneira que Ele foi com Rute. Ela simplesmente não merecia nada do que aconteceu a ela, muito pelo contrário, como já foi dito, ela era uma moabita, origem amaldiçoada pelo próprio Senhor, isto é, o destino dela era a morte eterna, mas mesmo assim ela foi tremendamente favorecida por Boaz, aqui, como um reflexo de Jesus, nosso resgatador e redentor (Rt 2:10,12; 2:19-20; 3:13,18). Assim também nós, que ao nascermos com a natureza pecaminosa por causa do pecado de Adão estávamos destinados à maldição da morte eterna e da lei, onde deveríamos fazer alguma coisa para podermos ser abençoados, fomos salvos e libertos de tudo isso através da obra de Jesus aqui nesse mundo, totalmente pela graça. E hoje podemos dizer que não precisamos alcançar a salvação ou nos preocupar com a maldição da morte, porque nós JÁ SOMOS a salvação. A temos dentro de nós, isso Cristo conquistou por nós DE GRAÇA. Nós fomos imensamente favorecidos sem merecermos absolutamente nada!

Qualquer semelhança aqui, com a história de Rute, é mera coincidência… SÓ QUE NÃO!

A Palavra de Deus não é uma coincidência! Nunca foi e nunca será! Você não percebe que está tudo entrelaçado? Que tudo se encaixa perfeitamente? Que Deus desde o início do universo já tinha tudo planejado sobre Jesus e sua obra? A história de Rute é só mais uma das milhares que há no Velho Testamento que servem para evidenciar a vida de Cristo! Serve como sombra de Jesus! Aleluia por isso! No Velho Testamento já podemos ver o reflexo da vida Jesus!

Irmão(ã), tenha sempre  uma coisa em sua mente: toda a Bíblia, eu disse TODA a Bíblia, sempre vai apontar para a imagem de uma única e exclusiva pessoa: JESUS! Seja Velho ou Novo testamento. Seja um livro histórico ou profético, no final das contas, ele sempre vai apontar para Jesus! Isso não é maravilhoso?

E quer saber mais, sabe como Rute conquistou esse direito de ser resgatada e receber todas as bênçãos que lhe cabia ao se casar com Boaz? Descansando! Sim, Rute teve que literalmente se deitar para que Boaz a pedisse em casamento (Rt 3:6). O que é uma representação bem ilustrativa para nós de que nós devemos sempre entrar no descanso para conquistar aquilo que já é nosso por direito. Ela tinha o direito de ser resgatada por Boaz, pois seu falecido sogro, Elimeleque, era da mesma família dele, mas teve que descansar para ver esse direito ser manifestado na vida dela. Não teve que fazer esforço algum, o único esforço que ela teve foi o de se deitar, isto é, o único esforço que nós devemos ter em nossas vidas para conquistar aquilo que já é nosso por direito (o que Jesus já conquistou por nós na cruz) é o de entrarmos no descanso! Isso se chama GRAÇA! Isso se chama FAVOR IMERECIDO! Descanse nessa verdade e você verá o quão poderosa é a graça de Deus na sua vida, e o quão eficaz ela é para realizar todos os seus sonhos, desejos do coração e suprir todas as suas necessidades! Aleluia!

Diante de tudo isso, vemos o porquê de Rute, assim como as outras 4 mulheres do Clube das 5, teve a honra e o privilégio de ser citada na genealogia de Jesus, porque além do fato dela ter se tornado bisavó de Davi; sua história representa para nós o cerne da vida cristã hoje e tudo o que de mais lindo há no amor de Deus: a sua infinita graça para conosco em qualquer lugar, em qualquer circunstância e a todo instante!