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Mythbusters (Parte 5) – Hebreus 6.4-6

“Ora, para aqueles que uma vez foram iluminados, provaram o dom celestial, tornaram-se participantes do Espírito Santo, experimentaram a bondade da palavra de Deus e os poderes da era que há de vir, mas caíram, é impossível que sejam reconduzidos ao arrependimento; pois para si mesmos estão crucificando de novo o Filho de Deus, sujeitando-o à desonra pública.”

(Hebreus 6.4-6)

 

Enquanto estava fazendo meus estudos a respeito desta passagem, deparei-me com o que, em minha opinião, podem ser dois dos maiores – e mais danosos – mitos dentro da igreja. São eles: (1) enquanto o cristão continuar no pecado (caído) não pode haver perdão (ser reconduzido ao arrependimento); e (2) o cristão pode perder a sua salvação se pecar. Desde já eu quero dizer que ninguém aqui está fazendo apologia ao pecado. Nós do Ritmos da Graça odiamos o pecado. Mas é fundamental que a igreja tenha um entendimento saudável sobre este assunto, ou então corremos risco de tirar o foco da nossa fé de Jesus e colocar na nossa capacidade de cumprir regras e combater o pecado.

Bom, vamos analisar este texto por partes. Primeiro, precisamos entender os versículos 4 e 5. Estes dois versos são apenas uma descrição dos destinatários da carta aos Hebreus: judeus recém convertidos ao cristianismo. Jesus afirma em João 8.12 que Ele é a luz do mundo e que aqueles que o seguirem jamais andariam em trevas; seriam, portanto, iluminados. Em Efésios 4.8, Paulo conta que a salvação é um dom de Deus, ou um dom celestial. E acrescenta em 1 Coríntios 6.19 dizendo que aqueles que foram salvos são templo do Espírito Santo, e assim, participantes d’Ele. Perceba como o autor é enfático em dizer que o seu público alvo, um grupo de “ex-judeus”, já tinham experimentado o novo nascimento.

Dizendo isto, continuemos para a parte crítica do texto: “mas caíram”. A palavra original aqui é parapiptó. Olhe em qualquer dicionário de grego e você verá que esta palavra não tem absolutamente nada a ver com cometer atos pecaminosos. Nada. Ela significa cair, desistir, abandonar o Cristianismo para voltar a uma antiga fé. Aqui, quero voltar ao parágrafo anterior. Quem estava lendo esta carta? Ex-judeus. Então “cair” significa voltar as práticas do judaísmo, voltar para a Lei!

Continuando no verso 6, lemos a expressão “é impossível que sejam reconduzidos ao arrependimento”. Pense comigo, se estes recém convertidos abandonaram o cristianismo e voltaram as práticas do judaísmo, então quer dizer que eles voltaram a antiga prática de sacrifícios de animais para perdão de pecados. Basta apenas nós avançarmos alguns capítulos no livro de Hebreus para sabermos que é impossível estes sacrifícios removerem os pecados.

 

“Dia após dia, todo sacerdote apresenta-se e exerce os seus deveres religiosos; repetidamente oferece os mesmos sacrifícios, que nunca podem remover os pecados. Mas, quando esse sacerdote [Jesus] acabou de oferecer, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à direita de Deus.”

(Hebreus 10.11-12)

 

Apenas o sacrifício de Cristo tem esse poder. E, já que tocamos nesse assunto, olhemos para o final do texto de Hebreus 6.6: “pois para si mesmos estão crucificando de novo o Filho de Deus, sujeitando-o à desonra pública”. Ao voltar a Lei e achar que os repetidos sacrifícios de animais podiam remover os pecados, eles estavam negando o que Jesus fez na cruz. Ele foi o único sacrifício pelos pecados e o Seu perdão dura para sempre. Hebreus 10 continua dizendo que:

 

“’[…] Dos seus pecados e iniquidades não me lembrarei mais’.

Onde esses pecados foram perdoados, não há mais necessidade de sacrifício por eles

(Hebreus 1-.17b-18)

 

Onde muitos erram ao ler Hebreu 6 é não entenderem que CRISTO JÁ NOS PERDOOU DE TODO PECADO. Ele fez isso na cruz de uma vez por todas. Portanto, você já foi conduzido ao único arrependimento possível e não há pecado que você possa cometer que te afaste do perdão de Deus. Logo, é impossível alguém perder a salvação por motivo de pecado. Viva consciente da plenitude do significado da Cruz e descanse na certeza de que você É perdoado. Este é um estado que jamais mudará na sua vida.

MYTHBUSTERS (PARTE 4) – QUEM DEUS É?

Até agora nesta série descobrimos que, ao contrário do que muitos acreditam, nós não precisamos nos esforçar em cumprir uma lista de regras para sermos salvos, ou conseguirmos aceitação junto a Deus. Mas, existe outro mito muito comum dentro da igreja que diz que Deus nos castiga por causa das nossas ações pecaminosas.

Não quero me aprofundar neste assunto hoje – ele já foi brilhantemente esclarecido pelo meu amigo João Emílio no texto “A Repreensão do Senhor” – porque acredito que este mito, na verdade, é consequência de uma visão errada de quem Deus é. Sobre isso que iremos falar hoje.

 

“Portanto, já que estamos recebendo um Reino inabalável, sejamos agradecidos e, assim, adoremos a Deus de modo aceitável, com reverência e temor, pois o nosso ‘Deus é fogo consumidor!’

(Hebreus 12.28-29)

 

Este texto de Hebreus ficou muito famoso entre os cristãos pela expressão que traz no final: “Deus é fogo consumidor”. Esta expressão aparece pela primeira vez em Deuteronômio 4.23-24. Para entendermos o seu real significado, precisamos voltar rapidinho ao antigo testamento e ver em que contexto ela foi dita.

 

Tenham o cuidado de não esquecer a aliança que o Senhor, o seu Deus, fez com vocês; não façam para si ídolo algum com a forma de qualquer coisa que o Senhor, o seu Deus, proibiu. Pois o Senhor, o seu Deus, é Deus zeloso; é fogo consumidor.

(Deuteronômio 4.23-24)

 

O autor estava alertando o povo de Israel sobre o caráter consumidor de Deus para que eles fossem cuidadosos em não se esquecer a aliança que o Senhor fez com eles. Em outras palavras, a ameaça era a seguinte: pise fora da faixa, esqueça a aliança de Deus, e você vai conhecer um lado não muito agradável de Deus.

Ok. Agora que você já sabe o contexto em que esta expressão foi dita pela primeira vez, voltemos ao texto de Hebreus. É de se esperar que o autor mantenha o mesmo contexto, não acha? Caso contrário, ele estaria deturpando o sentido original do texto de Deuteronômio, algo inaceitável para um texto bíblico. Olhemos então o verso 28: “[…] sejamos agradecidos e, assim, adoremos a Deus de modo aceitável […]”.

Em uma leitura superficial, parece que o autor aos Hebreus está dizendo que uma adoração aceitável para Deus é aquela que vem de um adorador cheio de gratidão. E é aí que entra o julgo. “Você tem que fazer desse jeito! Se não fizer, nosso Deus, que é fogo consumidor, não vai te aceitar e vai te castigar”. Errado! Devemos sim ser gratos a Deus, não como condição para sermos aceitos, mas porque fomos aceitos.

O problema não é só este. Quando você olha este texto no original, descobre que não tem nada a ver com gratidão. Talvez uma tradução mais adequada seria: “Portanto, já que estamos recebendo um Reino inabalável, [echómen charin] possuímos Graça [di’ hés] por meio da qual adoremos a Deus de modo aceitável, com reverência e temor, pois o nosso ‘Deus é fogo consumidor!’”

Agora sim! O único modo de adorarmos a Deus de forma aceitável é pela Graça! Assim, como o texto de Deuteronômio, o texto de Hebreus não é sobre boas ações, mas sobre recordar a aliança de Deus. Ou seja, se você está posicionado sob a Graça, a nova aliança de Deus conosco, este alerta NÃO É PARA VOCÊ!

Então, se Deus não é fogo consumidor para nós que estamos sob a Sua graça, quem Deus é?

Deus é bom (Salmos 136.1), Deus é amor (1 João 4.8), Deus é a força do meu coração e a minha herança para sempre (Salmos 73.26), Deus é fiel (2 Timóteo 2.13), Deus é meu ajudador (Hebreus 13.6), Deus é a minha esperança (Provérbios 3.26).

Não há motivos para ter medo de quem Deus é. Ele é a nosso favor e a sua natureza é boa.

Mythbusters (parte 3) – Obras ou Fé?

O que fazer quando dois textos da Bíblia parecem se contradizer totalmente, quase como se um tivesse sido escrito para rebater o outro? Como interpretar isso? Será que um está certo e outro está errado? Como decidir qual? Devo pegar o que eu gosto mais ou que mais se aplica a mim de descartar o outro?

Perguntas como essa vem a mente quando nós nos deparamos com um par de textos como Efésios 2:8 e Tiago 2:24, é inevitável. O primeiro diz: “vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie.”, enquanto o outro diz “Vejam que uma pessoa é justificada por obras, e não apenas pela fé.”

É como se Tiago estivesse escrevendo para contrariar. Este claramente separa a justificação (o fato de estarmos em uma posição correta com Deus, em paz com Ele) das obras, associada somente a fé. Romanos 2:28 confirma a crença de Paulo dizendo que “o homem é justificado pela fé, independente da obediência à Lei”, mas Tiago parece dizer exatamente o oposto. Aparentemente Tiago está dizendo que uma pessoa é justificada pelas obras e não somente pela fé.

E aí, com quem você está? Paulo ou Tiago? Obras ou Fé? Eu não creio que haja uma escolha a fazer, porque na verdade os apóstolos não estão se contradizendo, mas se complementando. Eu creio que “toda a Escritura é inspirada por Deus e é proveitosa” para nós (2 Tm 3:16), portanto me recuso a ter que descartar algo que ela fala. Se algo não parece certo, talvez eu precise ajustar a forma como enxergo algum desses versículos.

Para isso, vamos continuar analisando o que cada um dos apóstolos está dizendo. Os dois usam um mesmo exemplo para comprovar sua tese e é esse exemplo que nós vamos analisar para chegar a nossa conclusão: Abraão. Porque? Porque a Bíblia traz Abrãao como o exemplo de alguém que foi justificado por Deus, o padrão para nós hoje. Abrãao é o começo da Aliança que Deus faz com homem. Exatamente por isso ele é chamado de “pai da fé”. Nós seremos justificados na mesma base que Abrãao.

Paulo diz em Romanos 4:2,3:

“Se de fato Abraão foi justificado pelas obras, ele tem do que se gloriar, mas não diante de Deus. Que diz a Escritura? ‘Abraão creu em Deus, e isso lhe foi creditado como justiça’.”

Tiago diz em Tiago 2:21 e 23:

“Não foi Abraão, nosso antepassado, justificado por obras, quando ofereceu seu filho Isaque sobre o altar? (…) Cumpriu-se assim a Escritura que diz: ‘Abraão creu em Deus, e isso lhe foi creditado como justiça’, e ele foi chamado amigo de Deus.”

Não parece que ajudou muito, não é? Calma, vamos adiante. A chave para entender essa questão está na frase: “mas não diante de Deus”. Paulo e Tiago estão falando de justificação sob duas perspectivas diferentes. O primeiro está falando sobre a justificação diante de Deus e o segundo, sob justificação diante dos homens. Paulo está falando o critério para que você se torne justo, Tiago fala o que demonstra que você é justo. Deus não vê as suas obras, Ele vê a sua fé. Mas os homens não conseguem vê a sua fé a não ser pelas suas obras. Quer confirmar isso? Dê uma olhada no contexto de Tiago 2 e você vai perceber que o capítulo inteiro está falando sobre a nossa relação uns com os outros. O que Tiago está falando é: “você quer saber se alguém é justo? Olhe para as obras dele, porque um justo fatalmente praticará a justiça”.

E esse é exatamente o caso de Abrãao: ele creu em Deus e isso foi suficiente para ele se tornar justo, mas essa fé produziu nele uma obra condizente. Quando Deus pediu o seu único filho, Abrãao creu que Deus era poderoso para até trazê-lo dos mortos e essa fé o levou a entregar Isaque. ( Confira Hb 11:17-19). Agora, se eu estivesse naquela época assistindo a história de Abrãao, como eu poderia dizer que Ele creu em Deus? Eu não tenho acesso ao coração dele, portanto eu só poderia dizer isso porque eu vi nele uma ação condizente com sua fé.

É por isso que Tiago diz: Vejam que uma pessoa é justificada pelas obras”. Ou, nas palavras de Jesus, conheçam as árvores pelos frutos que elas dão (Mt 7.16,20). Um justo, apresentará frutos de justiça. Mas não se engane, ele não é justo por que dá frutos, mas dá frutos porque é justo.

Propositadamente eu pulei o versículo 22 do capítulo 2 de Tiago, para podermos pensar um pouco mais. Agora poderemos entendê-lo bem melhor:

 “Você pode ver que tanto a fé como as suas obras estavam atuando juntas, e a fé foi aperfeiçoada pelas obras.” (Tiago 2:22)

O original desse texto diz basicamente o seguinte: “A fé estava produzindo as obras e a as obras estavam consumando a fé”. No original grego, essa palavra aperfeiçoada tem o mesmo significado que a palavra que Jesus gritou quando disse: “Está consumado!”. Está completo. Ou seja, a sua fé te capacita a produzir as obras, que por sua vez completam, confirmam, consumam aquilo que você crê.

E no que você precisa crer? Você precisa crer no critério que Paulo estabelece: que você é justificado não por causa das suas obras, mas por causa da Obra consumada de Jesus. E tenha certeza, isso vai produzir em você as obras condizentes com essa crença. Se você crê que é justo, você vai andar como tal.

Para fechar eu quero te dar mais um versículo, que eu também guardei até agora, para confirmar que Paulo e Tiago estavam em plena concordância. Depois de dizer em Efésios 2:8,9 que nós somos salvos, justificados pela graça, independente das obras, Paulo faz a seguinte afirmação:

 “Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos.” (Efésios 2:10)

Ou seja, você não é salvo por obras, você é salvo para obras. As obras não são a causa da sua salvação e justificação, mas elas são o fruto disso. E isso não é algo que você precisa produzir pela força. É algo que é produzido pela fé na Obra de Cristo. Essa é a única forma pela qual o mundo poderá ver a justiça de Deus brilhando como a luz do sol através da sua vida para que eles sejam atraídos a Jesus e se rendam a Ele.

Mythbusters (parte 2) – O Reino é Conquistado por Esforço?

Se você nos acompanha há algum tempo, já deve ter percebido que, volta e meia, nós abordamos em nossos posts o tema “descanso”. Desde os primeiros posts temos chamado a sua atenção para a importância de descansar em Deus e na obra que Ele completou na cruz, por meio da morte e ressurreição de Cristo.

De fato, é impossível separar a Graça do descanso. A Graça é o descanso. Deixa eu te explicar melhor. A Bíblia começa a fazer referência ao descanso desde o início. Em Gênesis, Deus criou a terra em seis dias e no sétimo Ele descansou das suas obras, porque tudo estava completo. Isso é um retrato do que iria acontecer conosco milênios depois, quando Jesus veio para viver uma vida perfeita, impecável e morrer na cruz pelo preço dos nossos pecados (diga-se de passagem: isso aconteceu exatamente numa sexta-feira, o sexto dia da semana). Ali na cruz Ele clamou: “Está consumado!”, declarando que tudo o que precisava ser feito para que eu e você fossemos ligados novamente a Deus tinha sido feito. E assim como Deus descansou no início do mundo, nós devemos descansar em Cristo, assentado com Ele em lugares celestiais, porque tudo já foi consumado. Hebreus 4:10 diz que “aquele que entrou no descanso descansa das suas obras, como Deus das suas”.

Nossas obras não definem mais o nosso relacionamento com Deus. Não precisamos trabalhar, nos esforçar para cumprir regras que nos mantenham justos diante de Deus, ou para apaziguar a sua ira, porque Jesus já completou isso. Nosso papel é crer no que Ele fez. Em outras palavras, nós estamos vivendo continuamente no sétimo dia, no dia do descanso. De fato, Jesus é o nosso descanso, o nosso Sábado. É por isso que a Lei mais importante do antigo testamento e a que tinha punição mais severa era guardar o Sábado, porque este é um símbolo do descanso na obra completa de Cristo. Essa é a nossa base para sermos abençoados, aceitos, justificados diante de Deus.

Aqui entra um dos versículos mais mal interpretados da Bíblia e que é a causa de muitas pessoas estarem vivendo sob uma falsa perspectiva. Elas usam esse versículo para refutar tudo isso o que eu estabeleci com você e afirmam, com as palavras do próprio senhor Jesus, que na verdade a vida com Deus é um esforço e não um descanso. Esse versículo é Mateus 11:12:

“Desde os dias de João Batista até agora, o Reino dos céus é tomado à força, e os que usam de força se apoderam dele.” (Mateus 11:12)

Há muito tempo as pessoas usam esse texto fora do seu contexto para dizer: “Tá vendo? Você precisa se esforçar, sim. O Reino de Deus é conquistado por esforço e os que usam de força é que se apoderam dele. Não tem essa de descansar. Arregace as mangas e comece a trabalhar para poder receber qualquer coisa que você quiser de Deus.” E lá vamos nós, voltando para um sistema de meritocracia, de “faça-bem-receba-bem, faça-mal-receba-mal”, exatamente o oposto da vida que Deus tem para nós.
Então, o que será que esse versículo realmente diz? Como podemos entendê-lo sob a lente da Graça? Para isso, vamos primeiramente entender o contexto.

Jesus está falando sobre João Batista. Ele diz que “desde os dias de João Batista até agora” o Reino tem sido tomado a força. Perceba que Jesus se refere a dois tempos nessa frase. Há “os dias de João Batista” e “agora”. Qual é a diferença entre esses tempos? Vamos ler o versículo seguinte para entendermos:

“Pois todos os Profetas e a Lei profetizaram até João.” (Mateus 11:13)

João foi o último profeta da Lei, o último que veio antes de Jesus, portanto ele ainda vivia em um sistema baseado no esforço humano. O foco da Lei é o que o homem deve fazer para alcançar a Deus. Nesse sistema, se você obedecer todos os mandamentos de Deus, você tem acesso a Ele, caso contrário, você é alvo da culpa e da maldição.

Mas Jesus veio estabelecer uma nova forma de se relacionar com Deus, uma nova forma de entrar no Reino. Não pela força, mas pela fé. Continue lendo o capítulo e você encontrará a famosa passagem de Mateus 11:28, que inclusive dá origem ao nome do nosso blog:

“Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. (Mt 11:28-30)

Como pode Jesus no mesmo capítulo falar que o Reino é alcançado por esforço e logo em seguida dizer que ele vem nos oferecer descanso? Claramente ele está dizendo outra coisa. Analise para quem ele está falando isso, um grupo de pessoas acostumadas a se relacionar com Deus na base do esforço próprio e você vai entender que Ele está repreendendo as pessoas por fazerem isso. Ele está dizendo: “até agora vocês tentaram alcançar o Reino pela sua própria força, mas chegou um novo tempo, em que vocês podem ter descanso em mim e naquilo que eu fiz por vocês.”

Por último, a Bíblia fala realmente de um esforço, o qual quase ninguém se lembra de realizar. Ele está descrito claramente em Hebreus 4:11.

“Portanto, esforcemo-nos para entrar no descanso…” (Hebreus 4:11)

Esse é o nosso esforço. É isso que devemos lutar para fazer: descansar em quem Deus é, no que Ele fez por nós e no fato de que a obra foi completa lá na cruz. Essa é a única forma de entrar no Reino, recebendo pela Graça aquilo que Jesus conquistou por nós.

Mythbusters – Parte 1

Vamos combinar um coisa desde já: a Bíblia não é o livro mais fácil de se ler. Existe uma série de variáveis que você tem que estar atento ao ler uma das histórias registradas neste livro: qual a cultura da época? Onde a história se passa? Quais as características geográficas deste lugar? Quem era o rei? Quem era o sacerdote? Qual  o significado dos nomes? Como está escrito na língua original? Quem matou Lineu? E por aí vai. Para cada trecho, uma lista de perguntas diferente. Vejamos um exemplo prático. Olhe o texto a seguir:

 

“Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber.Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele, e o Senhor recompensará você.”

(Provérbios 25.21-22)

 

Muitos interpretam esta passagem dizendo que “amontoar brasas vivas sobre a cabeça da alguém” significa deixar seu inimigo “encucado” com a sua boa ação. É como se ele ficasse remoendo mentalmente o seu gesto de bondade e, com isso, se arrependesse do que já lhe tenha feito.

Resposta errada. O problema aqui é ignorar os costumes da época. Lembre-se que nos tempos de Salomão não havia fogão 6 bocas, microondas, fósforo, aquecedor, etc. Com isso, o fogo era um recurso essencial para a vida. Sem fogo não há como cozinhar a comida ou se aquecer durante o inverno. Por este motivo, era comum que as pessoas compartilhassem brasas vivas – ou seja, que ainda não se tornaram cinzas – a fim de que o outro pudesse levar de volta para sua casa, em potes que eram equilibrados na cabeça, e acender a sua própria fogueira. Portanto, o que o texto diz é: faça o que puder para que seu inimigo permaneça vivo. Só. Em hora nenhuma ele dá esperanças de que esse inimigo irá reconhecer seu esforço e/ou retribuí-lo.

“Ok, ok. Mas pra que tudo isso? Eu não quero ser pastor(a). Estou apenas lendo a Palavra de Deus (sotaque crentês)”. Bom, é simples. A Bíblia é muito mais que um guia de vida que te ensina como se comportar nessa Terra: “Faça assim. Não aja dessa maneira. Pratique isso”. A Bíblia é um guia de fé. Ela, acima de tudo, nos ensina o que crer. E quando nós cremos corretamente, o Espirito Santo tem liberdade para nos guiar a um viver correto.

Veja 2 Coríntios 10.5, por exemplo: “Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo”. Este texto retrata exatamente o que eu quero falar. Da forma como ele se apresenta ali, parece que a Bíblia é apenas um guia comportamental. “Leve esse pensamento cativo e aja como alguém que é obediente a Cristo!”.

Errado. Mas dessa vez eu vou dar um desconto. O erro aqui está na língua portuguesa. Ou melhor, na tradução do original para o português. A tradução que melhor se encaixa com o original é:

 

Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus e levamos cativo todo pensamento à obediência de Cristo

 

Percebe que o dono da obediência mudou? Não sou mais eu quem ajo obedientemente, mas agora Cristo é aquele que agiu em obediência. Levar os pensamentos cativos à obediência d’Ele é crer na obra que Ele realizou na Cruz: Ele nos salvou, perdoou, remiu, redimiu, justificou, adotou como filhos e muito mais. E, então, a Bíblia se torna um guia de fé.

Interpretações erradas de versículos como este de 2 Coríntios 10.5 são, infelizmente, muito comuns entre nós. Durante esta série iremos analisar muitos destes casos e quebrar alguns mitos antológicos criados dentro da igreja. Então, se prepare! Tenho certeza absoluta que você nunca mais lerá a Bíblia com os mesmos olhos depois desta série. E mais certeza ainda que você não será mais o mesmo(a) depois de descobrir aquilo que a Palavra de Deus realmente quer te ensinar.